Pai de Eloá tem 4 mortes na ficha

Foragido, Everaldo responde por execuções em Alagoas; segundo a polícia, ex-cabo da PM é ''frio'' e ''perverso''

Eduardo Reina, Bruno Tavares e Ricardo Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2008 | 00h00

Relato da Polícia Civil de Alagoas mostra que o ex-cabo da Polícia Militar Everaldo Pereira dos Santos, pai da garota Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, tem quatro homicídios em sua ficha corrida. Ele está foragido. Chama a atenção a descrição sobre sua atuação em grupo de extermínio. O histórico aponta que Santos "é frio e perverso, costuma queimar os cadáveres de suas vítimas". No Nordeste, é conhecido como Amarelinho. Além do assassinato do ex-delegado Ricardo Lessa e do motorista Antenor Carlota da Silva, em 9 de outubro de 1991, também pesa sobre o pai de Eloá a acusação da morte do agricultor Josenildo Pereira da Silva, dentro do Pronto-Socorro de Maceió. Silva havia se envolvido em discussão, que terminou em briga, e acabou matando o cabo PM Nogueira, em Batalha, no interior de Alagoas. Apareceu agora a suspeita de homicídio de um capitão da PM, Aragão, um suposto desafeto. MATADORES A ficha de Santos inclui envolvimento com a "Gangue Fardada", que agia no interior alagoano, principalmente na região de Campestre e Jundiá e na divisa de Alagoas com Pernambuco. Integravam esse grupo de matadores da PM o ex-cabo Cícero Felizardo dos Santos e o ex-cabo João Gabriel Felizardo dos Santos. Para a polícia, eles agiam também com o ex-tenente-coronel Cavalcante, que está detido no presídio federal de Catanduvas, no Paraná, e com o sargento Silva Filho. O foragido tem 44 anos de idade e gozava da proteção do ex-prefeito do município alagoano de Jundiá, Gervásio de Oliveira Lins. A cidade tem cerca de 6 mil habitantes. Lins foi condenado pelo Tribunal de Contas da União por desvio de recursos e ficou impedido de disputar as eleições. O pai de Eloá, que em São Paulo usava o nome de Aldo José da Silva, foi excluído da PM em 20 de julho de 1993, por deserção. Nessa época, ele teria fugido de Maceió depois que sua prisão havia sido decretada. Disse que nunca matou ninguém e que é vítima da "máfia do colarinho branco" na cúpula da Polícia Civil de Alagoas. Por utilizar documento falso durante depoimento em Santo André, ele deve responder pelo crime de falsidade ideológica. DELEGADO O delegado-geral adjunto José Edson de Freitas Júnior e a delegada Luci Mônica, diretora de Informações e Estatísticas (Deinfo), da Polícia Civil de Alagoas, chegaram ontem a São Paulo para acompanhar o trabalho da polícia paulista na tentativa de localizar e prender o ex-cabo. Eles devem fazer uma visita ao apartamento de Santos em Santo André.

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