Pai de juiz morto acusa Estado de negligência

O pai do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, o advogado Alexandre Martins de Castro, criticou nesta quinta-feira o fato de apenas um policial ter ficado responsável pela escolta de seu filho, assassinado na segunda-feira, e acusou o governo estadual de negligência."É inadmissível que o Estado não tenha se mobilizado, deixando apenas um homem, sem nenhum tipo de revezamento, a ponto de ele ser dispensado pelo meu filho no domingo para que pudesse se recompor. No dia seguinte, o policial ainda ia ver se um outro apareceria para revezar com ele e se forneceriam uma viatura, porque nem viatura tinha, e aconteceu isso", disse ele.O governo estadual não comentou a acusação. De acordo com a Polícia Federal (PF), o juiz dispensara a segurança em dezembro, e o pedido foi atendido no dia 2 de janeiro. Castro Filho recebia proteção da Secretaria da Segurança desde quarta-feira da semana passada, por determinação do governador Paulo Hartung (PSB).No dia do crime, o magistrado teria dispensado o policial militar para ir à academia de ginástica. Com a informação de que autoridades como o procurador da República no Espírito Santo, Henrique Herknhoss, estariam marcadas para morrer, revelada pelo Estado após o assassinato de Castro Filho, o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Carlos Frederico Santos, foi nesta quinta-feira a Vitória para cobrar medidas de proteção aos magistrados e integrantes do Ministério Público que atuam no combate ao crime organizado."Não será por atitudes que têm o objetivo único de implantar um terror intimidatório que autoridades deixarão de cumprir sua missão. Pela gravidade dos fatos, entendemos que devem ser tomadas providências urgentes", disse ele, que se reuniu com promotores, procuradores e a presidente da Associação dos Magistrados do Espírito Santo, a juíza Janete Vargas Simões.Nesta sexta-feira, haverá um encontro com o secretário da Segurança Pública do Estado, delegado federal Rodney Rocha Miranda, para definir as medidas de proteção e o número de policiais que farão a segurança de juízes e procuradores. O juiz Carlos Eduardo Lemos, que trabalhava com Castro Filho na 5ª Vara de Execuções Penais, já teve sua segurança reforçada.Hartung estava reunido até o fim da tarde com uma comissão de deputados federais, entre eles Iriny Lopes (PT), que veio ao Estado para acompanhar as investigações do assassinato - eles deverão preparar um relatório que será entregue ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, pedindo mais proteção para integrantes do MP e do Judiciário. De acordo com o subprocurador-geral da República José Roberto Santoro, que coordena o Gabinete Integrado de Segurança Pública, a hipótese mais provável é que o crime tenha sido encomendado pelo coronel da reserva da Polícia Militar Walter Ferreira, preso no Acre, acusado de comandar grupos de extermínio. A PF teria gravado uma conversa que comprovaria a ligação de Ferreira com o crime.A polícia estadual continua à procura de Odessi Martins da Silva Júnior, o Lombrigão, de 20 anos, acusado de ser o criminoso que pilotava a motocicleta no dia do crime, que apanhou a arma que estava com Castro Filho e executou o magistrado com dois tiros, um na cabeça e outro no braço.O delegado Danilo Bahiense, responsável pelas investigações, teme queima de arquivo. Munidos de mandados de busca, policiais civis revistaram 20 casas em favelas da periferia da Grande Vitória na madrugada desta quinta, inclusive uma que seria da irmã de Lombrigão, mas ele não foi encontrado.Foram apreendidos celulares e uma agenda. O principal acusado havia deixado a Casa de Custódia de Viana no dia 12 de março, 12 dias antes do assassinato do juiz. Fora detido no dia 6 de janeiro, sob acusação de roubo, mas acabou solto por decisão da 5ª Vara Criminal, por falta de provas. Segundo a polícia, era réu primário.Cerca de 500 moradores de Vila Velha, na região metropolitana de Vitória, fizeram nesta quinta-feira um protesto, que começou no centro da cidade e terminou em frente à academia Belle Forme, onde o juiz foi assassinado.Estudantes da rede pública, funcionários da prefeitura e políticos participaram do ato. "O Espírito Santo não pode mais perder para o crime organizado", disse a funcionária pública Luciana Silveira. Veja o especial:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.