Pai de menino morto por manicure nega relação com a acusada

Heraldo Bichara Júnior disse que chegou a receber cantadas, mas que as ignorou

Marcelo Gomes, enviado especial,

02 Abril 2013 | 13h47

BARRA DO PIRAÍ - Em um depoimento que durou duas horas e meia e bastante emocionado, o administrador Heraldo Bichara Júnior, de 38 anos, negou que tivesse qualquer relacionamento amoroso com a manicure Suzana Figueiredo, de 22, assassina confessa do filho dele, João Felipe Eiras Bichara, de 6 anos. Acompanhado da mulher, Aline Bichara, e chorando muito, Heraldo revelou que, em meados do ano passado, recebeu da manicure três mensagens de texto, pelo celular, que diziam: "Oi, tio Sukita", "gosto de você" e "quero sair com você". As mensagens foram enviadas em intervalo de três dias. As duas primeiras foram mandadas de um celular e Heraldo não conseguiu identificar a procedência, pois, quando ligava para o número registrado, caía na caixa postal. Após receber a terceira mensagem, de um número diferente, e ligar de volta, o administrador descobriu que a remetente era Suzana. Heraldo trabalha como administrador da uma fazenda do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, em Piraí, cidade vizinha a Barra do Piraí.

"Isso (as mensagens) só veio à cabeça dele por conta da morte do filho. Heraldo nunca deu importância àquela situação e, por conta disso, não havia contado a Aline sobre o fato. Na visão dele, foi só uma cantada de uma pessoa que, talvez, tivesse admiração pela sua situação financeira", explicou o delegado Mário Omena, da 88ª Delegacia de Polícia (Barra do Piraí).

Heraldo também negou que tivesse assediado Suzana, ao contrário do que a manicure disse informalmente à polícia na noite de 25 de março, quando foi presa, momentos após o corpo do menino João Felipe ter sido encontrado dentro de uma mala na casa da manicure, no centro de Barra do Piraí. O delegado informou que vai pedir à Justiça a quebra do sigilo de dados do celular de Suzana. O objetivo é descobrir com quem ela falava normalmente, com que frequência e se telefonou para alguém durante as horas em que esteve com João Felipe.

"Suzana tinha múltiplos objetivos, entre eles pedir resgate pela criança. É óbvio que, apesar de Heraldo ter ignorado as suas cantadas de pronto, ela iria tentar seduzi-lo de novo. Por isso, vou analisar se a manicure será enquadrada no crime de extorsão mediante sequestro com evento morte, além da ocultação do cadáver. Porém, se eu entender que não houve o primeiro crime, ela será indiciada por homicídio", afirmou o delegado, que pretende concluir o flagrante e encaminhá-lo nesta quarta-feira, 3, ao Ministério Público. A Polícia Civil vai instaurar um inquérito complementar para dar prosseguimento às investigações, já que o prazo legal para conclusão de um flagrante é de dez dias.

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