Pai de S. agradece a Hillary no ''Larry King''

David Goldman, que luta pela guarda do filho, falou ao programa, um dos mais vistos dos EUA; tio da ex-mulher também deu entrevista

, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2009 | 00h00

A disputa travada entre o americano David Goldman e o advogado carioca João Paulo Lins e Silva pela guarda de S.G., de 8 anos, chegou a um dos programas de maior audiência dos Estados Unidos. Larry King, que comanda o Larry King Live, da CNN, entrevistou Goldman e um tio de sua ex-mulher Bruna Bianchi, Helvécio Ribeiro, na noite de anteontem. As entrevistas foram retransmitidas ontem no Brasil às 7 horas pela CNN International. O caso já foi tema de entrevista do programa Dateline, da NBC, e de reportagem do New York Times. Goldman acusou a família de Bruna de impedi-lo de visitar o filho, alegou que tribunais brasileiros desrespeitam o Tratado de Haia - que determina a custódia de criança sequestrada ao pai separado do filho - e agradeceu a intervenção da secretária de Estado americana, Hillary Clinton. "Só queria agradecer, estou muito grato por ela estar me ajudando. Ela sabe que isso é justo e se preocupa com as crianças e com os direitos dos pais de terem ao seu lado sua própria carne e sangue."Ribeiro, por sua vez, colocou em xeque o amor de Goldman pelo filho. Disse que o pai biológico nunca se interessou pelo garoto, que vive desde os 4 anos na Lagoa, zona sul do Rio. Em 21 de agosto de 2008, a mãe de S. morreu após o parto de Chiara, filha de Lins e Silva. Goldman, então, reacendeu a briga pela guarda, já travada nas Justiças brasileira e americana.Após a morte de Bruna, Goldman contou que foi surpreendido com uma ação de Lins e Silva. "Obtivemos o direito de visita, mas, quando eu deveria trazer meu filho para casa, descobrimos que esse homem não entrou com o pedido judicial de custódia, mas com um pedido de remoção de meu nome da certidão de nascimento de S., que nasceu em Red Bank, Nova Jersey. Ele ganhou a guarda provisória", contou Goldman. Goldman disse a King que, logo após o sequestro, conseguiu falar com o filho. "Falei com todos (da família de Bruna), quando ainda estavam tentando me convencer a ir até lá (Brasil) e a cair na cilada dessa batalha pela custódia." Goldman disse, na entrevista, que os tribunais brasileiros admitem o descumprimento do Tratado de Haia. "Em primeira instância, eles ficaram com S. por um ano. Então, foi declarado que ?bem, você sabe, ele foi levado ilegalmente e deveria ser devolvido, mas agora ele está numa situação estável com a sua mãe?. Foram juízes brasileiros que reconheceram que o menino ficou com a mãe de modo ilegal."Ribeiro disse a King que não questiona o direito do pai biológico, mas afirmou que a custódia deve, sim, ficar com Lins e Silva. "O fato é que para ser pai é preciso mais do que doar o DNA. Paternidade não é fazer filmes caseiros e tirar fotos, é fazer sacrifícios. É sustentar o próprio filho, estar presente. E, enquanto Bruna estava viva, Goldman não fez isso." Ao apresentador, o tio de Bruna colocou em dúvida o sentimento do pai biológico. "Acho que é muito fácil você dizer que ama alguém, mas você precisa agir de modo a mostrá-lo."Ao vivo nos Estados Unidos, Ribeiro fez uma defesa do amor que Lins e Silva sente pelo menino. "S. sabe perfeitamente que ele (Lins e Silva) não é seu pai biológico, mas o chama de papai. S. sabe que Goldman é seu pai biológico." Para provar, Ribeiro revelou que S. costuma conversar com Goldman e sua avó, que vivem nos Estados Unidos. "Portanto, ele sabe perfeitamente a diferença. Ele sabe quem é quem." FRASESDavid GoldmanPai do menino S."Obtivemos o direito de visita, mas, na primeira vez em que eu deveria trazer meu filho para casa, descobrimos que esse homem (Lins e Silva) não entrou com o pedido judicial de custódia, mas de remoção de meu nome da certidão de nascimento de S.""Ela (Hillary) sabe que isso é justo, e se preocupa com as crianças e com os direitos dos pais de terem ao seu lado sua própria carne e sangue"

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