Pai de santo acusado de extorsão na Suíça

O brasileiro João foi indiciado também por incitar a prostituição

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

24 Julho 2009 | 00h00

O tribunal da cidade de Friburgo, na Suíça, indiciou um brasileiro, cujo nome completo não foi revelado, por extorsão e por incitar a prostituição. O julgamento deve ocorrer no final do ano. O advogado do brasileiro nega que seu cliente seja culpado. A prática de trabalhos espirituais na Suíça é autorizada e a cobrança em dinheiro também é acatada pela lei. O que não é permitido é o abuso e a prática de extorsão. "Existe o direito de cobrar para prever o futuro. Mas o problema é quando o montante cobrado não tem relação com a prestação do serviço ou quando o mago explora a fraqueza de suas vítimas", afirmou o juiz de instrução Jean-Luc Mooser, encarregado do inquérito. O vendedor de milagres é acusado de ter extorquido "milhares de francos" de clientes. Ele afirmava ser pai de santo e praticava sessões de umbanda em Friburgo. Apenas seu primeiro nome, João, foi revelado. João já havia sido preso por um mês em 2007. Mas foi liberado após pagar fiança de quase R$ 100 mil. Agora, três de seus clientes o denunciaram mais uma vez. Uma delas afirmou que foi obrigada a se prostituir para pagar pela conta que João apresentou pelos supostos milagres. Segundo a advogada, o brasileiro teria incentivado sua cliente a seguir o caminho da prostituição. Em sessões que incluíam velas, altar, imagens de santos, coração de boi e remédios em plenos alpes, João garantia que seu exercício religioso traria de volta ex-namorados e seria a cura para doenças incuráveis pela medicina. "O suspeito contesta os montantes recebidos, pretende não ter explorado a inexperiência nem a fraqueza das pessoas e rejeita a acusação de encorajar a prostituição", afirmou o juiz de instrução, em um comunicado. O advogado do brasileiro, Philippe Leuba, não revela onde está seu cliente e nem se ele comparecerá ao tribunal durante o julgamento. Se for condenado, João pode pegar cinco anos de prisão por usura e extorsão. Mas se ficar provado que ele incitou a prostituição, sua pena pode subir para dez anos. Na Suíça, uma série de centros umbandistas foram criados nos últimos anos em cidades como Genebra e Saint Gallen. Nenhum deles, porém, é acusado de envolvimento com o suspeito.

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