Pai do garoto João Roberto se exalta em audiência no Rio

Paulo Roberto encarou os policiais acusados de matar seu filho pela primeira vez e os chamou de 'assassinos'

Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2008 | 19h52

Ao encarar pela primeira vez nesta segunda-feira, 1º, os dois policiais militares acusados da morte de seu filho de apenas três anos, o taxista Paulo Roberto Soares se exaltou e os chamou de assassinos. O encontro aconteceu durante a audiência de testemunhas no 2.º Tribunal do Júri, no centro do Rio. Paulo é pai de João Roberto Amaral Soares, baleado na noite de 6 de julho dentro do carro da família a poucos metros de casa.   Veja também: Em interrogatório, PMs acusados de matar garoto se calam   "Assassinos. O que vocês fizeram foi covardia. Mataram meu filho, uma criança indefesa. Não consigo mais dormir, não consigo mais comer. Foi covardia, assassinos", gritou ele, que foi retirado do Tribunal por seus advogados.   Na ocasião da morte, o cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalves da Costa Neto, ambos lotados no 6.º Batalhão de Polícia Militar, confundiram o carro onde estava João Roberto, um Palio Weekend cinza-chumbo, com um Fiat Stilo preto roubado que perseguiam. O carro da família, que era dirigido pela mãe dele, Alessandra Soares, foi atingido por pelo menos 15 tiros. Ela havia acabado de encostar o veículo para deixar que a polícia passasse.   Alessandra voltava de uma festa de aniversário com João Roberto e seu outro filho de apenas um ano, quando foi abordada pelos PMs. Nesta segunda, ela foi uma das seis testemunhas que prestaram depoimento ao juiz Paulo de Oliveira Lanzellotti Baldez.   Paulo Roberto, que não acompanhava a mulher e os filhos por estar trabalhando no momento do crime, não prestou depoimento. "Ela contou tudo o que aconteceu naquele dia, disse que percebeu que a polícia vinha em disparada e encostou o carro para deixá-los passar mas que foi surpreendida por uma enxurrada de tiros", relatou o advogado João Tancredo, que assiste à família.   O advogado contou também que o comandante do 6.º BPM, coronel Ruy Loury, disse que a perseguição feita pelos policiais era legítima, até o momento da abordagem. "O comandante confirmou que sair do carro atirando está errado e confirmou ainda que só depois desse caso é que a PM começou a fazer cursos de reciclagem e treinamento em abordagem", disse Tancredo. Está marcado para a próximo dia 23 o depoimento do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. O julgamento ainda não tem data para acontecer.

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