Pai e filho agridem estudante a facadas em sala de aula

Um estudante de 14 anos foi agredido de maneira covarde dentro da própria sala de aula. O pai e o irmão de uma aluna invadiram a sala agrediram David Ribeiro de Melo. Ferido com duas facadas, David foi levado ao hospital, submetido a cirurgia e passa bem. Os agressores estão detidos.A cena de violência ocorreu na cidade-satélite de Santa Maria, a cerca de 45 quilômetros do Palácio do Planalto. Ontem à tarde o mecânico Wilson Mateus Domingos, de 38 anos, e seu filho W. M. D., de 14, invadiram a sala de aula onde estava David. Segundo relato de testemunhas, o pai agrediu e segurou o estudante, enquanto seu filho o esfaqueava.Ferido no abdome e nas nádegas, o aluno conseguiu fugir. Seus colegas de classe saíram então em sua defesa e passaram a perseguir Domingos e o filho. Já fora da escola, os dois agressores foram detidos pela Polícia Militar.O motivo da violência ainda não foi totalmente esclarecido. O mecânico foi autuado em flagrante, na 33ª Delegacia de Polícia de Santa Maria, por tentativa de homicídio e pode pegar até 12 anos de prisão. Seu filho está detido na Delegacia da Criança e do Adolescente.De acordo com o delegado-chefe da 33ª DP, Jurandir Teixeira Pinto, o pai contou, em seu depoimento, ter ido à escola porque David estaria ameaçando seu filho de morte e teria também xingado sua filha C., de 13 anos, que estuda na mesma escola. Para o delegado, porém, é preciso ouvir o depoimento da vítima, o que deverá ser feito nos próximos dias. Ele aguarda também o laudo do Instituto Médico Legal."Briga entre adolescentes é comum, mas é a primeira vez que vejo um pai ir até a escola e entrar na confusão", disse Teixeira Pinto. David foi operado ontem mesmo no Hospital Regional do Gama e continua internado, em recuperação da cirurgia. Seu estado de saúde é bom, segundo o hospital, e ele deverá ter alta nos próximos dias. No Centro de Ensino Fundamental, houve aula normalmente. Mas o diretor Gerson Vieira reuniu os estudantes para conversar sobre o episódio. "O que nos preocupa é a presença de um pai, figura que a escola procura sempre atrair para ajudar na educação dos filhos", disse Vieira. Ele nega que tenha havido falha na segurança da escola, sob responsabilidade da Polícia Militar."Não houve falha. Quem entrou não era um estranho, mas alguém que faz parte da casa, uma pessoa conhecida", disse o diretor. Segundo testemunhas, ao entrar na escola com o filho, o mecânico disse que iria tratar de assuntos relativos ao comportamento da filha. Em vez disso, no entanto, dirigiu-se até a sala de aula da Classe de Aceleração de Aprendizagem, destinada a alunos com atraso escolar, e agrediu David. Segundo o diretor, a vítima "tem um perfil de aluno normal". Ele disse desconhecer os atritos entre o estudante e a aluna C. e seu irmão, que não estuda na escola. "Não se trata de discutir o perfil do aluno. Nada vai amenizar o fato de que tem um pai envolvido", disse Vieira.

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