Pai é preso por matar filho com tiro na nuca

Crime ocorreu depois que o garoto de 14 anos tentou impedir que a mãe fosse agredida

Gabriela Gasparin, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

O desempregado Cosmo José dos Santos, de 47 anos, foi preso acusado de matar o próprio filho, Rodrigo Alves dos Santos, de 14 anos, com um tiro na nuca, no portão da casa deles, por volta das 18 horas de anteontem, no Jardim Álamo, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo a polícia, Santos estava alcoolizado e tentou fugir, mas foi apanhado perto da residência, logo após o crime. Preso em flagrante, Santos foi autuado por homicídio doloso (com intenção de matar) e, se condenado, poderá pegar de 6 a 20 anos de prisão. O assassinato ocorreu após o garoto tentar impedir que o pai perseguisse e matasse a mãe, Teolina Alves Lopes, de 40 anos, que fugiu de casa depois de uma discussão que teve com o marido, minutos antes de o filho morrer. Segundo vizinhos, Santos era muito ciumento. Antes de ir para casa, na tarde de anteontem, ele tomou um copo de cerveja na padaria do bairro. "O dono disse que ele já estava bêbado quando chegou", disse o operador de máquinas Francisco de Assis Oliveira, morador há 14 da região. Após a briga com Santos, Teolina fugiu para a casa da vizinha. Ela teria levado um chute. Rodrigo, que presenciou a briga, tentou impedir que o pai corresse atrás da mãe e fechou o portão. Sem ter como sair, Santos atirou no menino, segundo a polícia. "Ele morreu na hora, com as mãos penduradas no portão", disse um amigo, Gabriel Alves, de 12 anos.Segundo os vizinhos, após matar o filho, Santos disse: "Estou vivo e ainda vou matar mais um." Depois pôs as mãos na cabeça e disse: "Hoje acabei com a minha vida." Após o tiro, o irmão mais velho de Rodrigo, Cícero dos Santos, de 18 anos, bateu no pai e conseguiu desarmá-lo. "Quando ele viu que a polícia tinha chegado, fugiu pelas plantações por trás das casas. Foi pego logo depois, já na estrada", contou Adalto de Almeida, 51 anos, cabeleireiro do bairro. Desempregado desde janeiro, Santos fazia bicos como pedreiro e agricultor nas plantações do bairro. Tinha fama de trabalhador e equilibrado. O assassinato do filho pegou todos os conhecidos de surpresa.Ele trabalhou por 17 anos como auxiliar de serigrafia em uma empresa na cidade.A arma usada no crime, um revólver calibre 38, estava com o registro riscado e era roubada. Segundo a polícia, Santos optou por permanecer calado durante a ocorrência.

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