Pai: ''''Ele deve ter matado mais gente''''

Família teve casa apedrejada por multidão

Gilberto Amendola, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

28 Setembro 2007 | 00h00

"Eu sou um psicopata.Ainda vou fazer uma chacina que vai comover São Paulo." Quem seria capaz de fazer uma afirmação dessas? "Meu irmão disse isso. Dizia sempre", contou Cleusa Oliveira dos Santos, de 37 anos, irmã de Ademir Oliveira do Rosário, o Gordo, o homem que admitiu à polícia ter matado os jovens Francisco e Josenildo, na Serra da Cantareira, em São Paulo, no sábado. Rosário é um sujeito estranho e violento, segundo familiares. Nenhum parente conseguiu se recordar de um momento alegre em que ele estivesse envolvido. "Acho até que ele deve ter matado mais gente por aí", disse o pai, Armando, de 72 anos. A família já sentiu a repercussão do caso. Anteontem, por volta das 21 horas, dezenas de moradores do Jardim Paraná, na zona norte, apedrejaram a casa dos parentes dele. "Se não fosse a intervenção da polícia, eles teriam invadido", disse Cleusa. "A gente não pode pagar por um crime que meu irmão cometeu", afirmou a irmã. O histórico de violência começou em casa. Na adolescência, ele chegou a agredir a própria mãe, Luzia. "Ele tinha uns surtos. Era difícil segurá-lo", disse Cleusa. Quando os surtos passavam, escrevia cartas à mãe. Numa delas, dizia ter se arrependido: "Acho que agi mal. Aceite essa flor como prova de arrependimento e amizade." Antes de ser preso pela primeira vez, em 1991, Rosário quase não parava em casa. O único dos 13 irmãos com quem mantinha contato era Almir, o Mudinho. Rosário nunca teve namorada - preferia andar com garotos, sempre mais novos que ele. Por algum tempo, tomou conta da bicicletaria da família. Mas não deixou de freqüentar a mata da Serra da Cantareira. Foi ali que ele teria cometido o homicídio que o levou para cadeia pela primeira vez. Interno do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico 2 de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, Rosário ia para casa nos fins de semana. Para Cleusa, "a culpa de tudo o que aconteceu é do hospital que liberou meu irmão". "Uma pessoa assim não podia estar na rua."

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