Homem passa mal e morre depois de traqueostomia feita pelo filho de 17 anos

Adolescente usou utensílios domésticos e ferramentas em MG para realizar o procedimento que diz ter estudado na internet

Rene Moreira, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2017 | 17h21

Foi sepultado nesta segunda-feira, 18, em Itajubá (MG), o corpo de José Del Ducca Ribeiro, de 54 anos. Ele morreu após passar mal em casa e ser submetido a uma traqueostomia pelo filho de 17 anos. O rapaz alegou que o pai vinha tendo crises de asma, que o levaram a pesquisar o assunto. 

Para fazer o procedimento, que consiste na abertura de um buraco no pescoço, ele usou utensílios domésticos e ferramentas do próprio pai. Tubo de caneta, chave de fenda, martelo, faca, tesoura e outros objetos foram apreendidos no local. 

O jovem alegou que queria apenas ajudar e foi liberado após ser ouvido pela polícia. De acordo com o delegado Mário Martins, ele disse que começou a estudar o assunto porque as crises respiratórias do pai vinham se tornando cada vez mais graves.

Antes da traqueostomia, ele teria tentado sem sucesso uma massagem cardíaca para reanimar o pai. Porém, após não obter êxito, acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) que ao chegar se deparou com o homem já sem vida.

Risco. Médicos alertam que a traqueostomia pode ser usada para salvar uma pessoa, mas é necessário conhecimento para realizar esse tipo de procedimento. "Tem uma história clássica de um médico que durante um voo salvou uma pessoa dessa maneira usando uma tampa de caneta", conta Giovanni Faria Silva.

Médico da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu (SP), ele diz, porém, que é preciso ser um profissional da área ou conhecer bem a respeito para fazer algo do tipo. "Caso contrário, o risco é grande", explica.

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