Pai pede para filho se entregar à polícia em Campinas

O empreiteiro Roberto Miranda falou baixo e pausadamente ao fazer de sua entrevista um apelo ao filho, Raoni Renzo Miranda, único integrante da suposta quadrilha de roubo de casas lotéricas e residências desmontada em Campinas ainda não encontrado pela polícia: "Gostaria de pedir para ele aparecer e, por favor, não reagir na hora em que estiver com a polícia, mas sim dar suas explicações. Gostaria que ele viesse dizer que está pronto para pagar pelo que fez e admitir que precisa de ajuda. Nós vamos ajudar." Raoni, 18 anos, sua namorada, Ana Paula Jorge Sousa, e dois rapazes tiveram prisão temporária de cinco dias decretada pela Justiça na quarta-feira,7, por roubo e formação de quadrilha. A participação de Ana Paula, uma bonita estudante de Direito que morava com os pais num prédio de luxo no Cambuí, bairro nobre de Campinas, surpreendeu moradores da cidade. Ana Paula e Orlando Ernesto Carpino, 25 anos, foram presos na quarta-feira. Nesta sexta, o estudante Leandro Pereira Lima, 25 anos, se entregou à polícia. Ele estava em Sumaré, na casa de familiares. A pedido da polícia, a Justiça decretou nesta sexta a prisão preventiva do grupo, por tempo indeterminado. Segundo informou a delegada Denise Margarido, Lima será ouvido na segunda-feira. A garota está na cadeia feminina de Indaiatuba, Carpino e Lima foram encaminhados ao 2º Distrito Policial e ficarão no Complexo Campinas-Hortolândia. Na sexta, o advogado e tio de Ana Paula, Elias Antonio Jorge Nunes, informou que fará parceria com o renomado criminalista Ralph Tórtima Stettinger para defender a garota. Ele disse que, por enquanto, não vai entrar com pedido de habeas-corpus. Segundo a polícia, a suposta quadrilha roubou pelo menos quatro casas lotéricas e duas residências e levou R$ 18 mil. A polícia chegou ao grupo por meio de fotografias e dois vídeos encontrados dentro de um computador apreendido em outra ação. Nas fotos, os jovens aparecem com drogas e armas. Carpino confessou à polícia participar dos assaltos às residências, mas negou participação nos roubos às lotéricas. Ana Paula disse que só falará oficialmente em juízo. A garota foi reconhecida como a moça loira que dirigia um Astra preto - do pai, Saul Silva Sousa - e ajudava os suspeitos a fugir. Depois de presa, foi reconhecida como participante de pelo menos um assalto a residência, onde decidia o que seria levado.´Usada´ pelo namoradoO advogado Elias Nunes disse que Ana Paula foi "usada" pelo namorado. Segundo o advogado, a garota descobriu há quatro meses ter sido adotada pelos pais e isso também a teria deixado confusa. Na Universidade Paulista (Unip), colegas lembram da garota mas optam pelo silêncio. "Ela ficava isolada", disse uma estudante do curso de Direito matutino que preferiu não se identificar. Ana Paula foi reprovada, no ano passado, por faltas, segundo informou a universidade. Outra estudante de Direito que estudou com Ana Paula no ensino médio disse que a garota tinha muita liberdade e sempre fazia festas em casa. "Ela queria conquistar as pessoas pelo que tinha, mas acabava meio excluída", afirmou a estudante, que pediu para ser identificada apenas com o primeiro nome, Gabriela. Ana Paula estava com Raoni desde dezembro, segundo informações da polícia. Desde que os pais se separaram, há dez anos, o garoto optou por ficar com o pai. A decisão mudou há seis meses, segundo Roberto Miranda, depois de uma discussão por causa do contato do garoto com drogas. Raoni tem passagem pela polícia, registrada quando ele ainda era menor de idade. A mãe do rapaz está presa em Indaiatuba por suposto crime de seqüestro. "Não culpo a mãe dele por ele estar assim, ele já usava drogas antes. Me entristece muito ver que ele não quis ser ajudado", lamentou o pai.

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