Pai que tentou matar filhos diz que não se lembra de nada

Alexandre Alvarenga, acusado de tentar assassinar seus dois filhos, disse a seu advogado de defesa, Luiz Henrique Cirilo, que não se recorda do que aconteceu no dia do crime, segundo relatou nesta sexta-feira o advogado. ?Ele me pede para que eu diga o que aconteceu e, quando digo, começa a chorar, fala em suicídio?, afirmou Cirilo.O advogado acrescentou que pediu à Justiça anulação de todos os atos do processo, alegando irregularidades. Até a tarde desta sexta, a Justiça ainda não havia se manifestado sobre o pedido.Cirilo afirmou que há contradição entre as declarações dos médicos que atenderam o casal no Departamento de Psiquiatria do Hospital Celso Pierro, da PUC-Campinas. ?Na emergência, declararam que os dois estavam em surto psicótico.No dia 5, apresentaram laudo afirmando que eles não precisavam de tratamento psiquiátrico?, disse.O advogado garantiu que também há erros nas datas dos laudos do hospital. Afirmou que o exame toxicológico de Sara apresentado no dia 5 está datado do dia 6 e indica que a coleta do sangue foi feita no dia 13 de fevereiro. O hospital informou que não foi notificado e só irá se pronunciar se a Justiça solicitar.O advogado afirmou que pediu revogação da prisão preventiva de Alvarenga, para que ele seja transferido do Centro de Detenção Provisória para o Hospital de Custódia, para receber tratamento psiquiátrico. Caso a Justiça recuse o pedido de anulação do processo, Cirilo solicitou que sejam desconsiderados os laudos do hospital.O promotor público Marcos Tadeu Rioli defendeu que um ?equívoco de digitação das datas não tira o valor dos laudos?. E acrescentou que um relatório mais detalhado foi solicitado pela Justiça ao hospital, justamente para tirar dúvidas sobre os laudos preliminares.Cirilo descartou a participação de Alvarenga em uma reconstituição do crime. ?Como poderia participar se não se lembra do que aconteceu??, alegou. Já o advogado Pedro Renato Marcelino, que defende a mulher de Alvarenga, Sara Maria, garantiu que vê a reconstituição ?com tranqüilidade? e não faria objeções à participação de sua cliente.?Ela vai contar o que lembra?, disse Marcelino. Ele e Cirilo enfatizaram que Sara estava no banco de trás do carro, com as crianças, para negar que possa ter havido um crime premeditado. Ambos alegaram que ela não estaria com os filhos no banco de trás se o casal estivesse pensando em matá-los.Rioli disse nesta sexta que a reconstituição deverá ser marcada para depois dointerrogatório e explicou que o casal tem o direito de se recusar a participar dela.Dependendo da versão que apresentarem no interrogatório, no dia 26, a reconstituiçãopode ser feita somente a partir do depoimento das testemunhas, acrescentou.O promotor disse que o casal ainda não apresentou sua versão, já que não quis depor à Polícia Civil na fase do inquérito. Ele explicou que os dois serão ouvidos no mesmo dia, um de cada vez, para que relatem sua versão individual. E comentou que o juiz pode decidir fazer uma acareação em seguida para confrontar informações.O promotor disse não acreditar que Alvarenga tenha insanidade mental, como alega a defesa, mas avaliou que isso poderá ser melhor analisado no interrogatório. Sara está presa em Valinhos. Alvarenga é acusado de jogar o filho de um ano contra o pára-brisa de um carro em movimento e depois bater a cabeça da filha, de 6, em uma árvore.A menina está sob a guarda provisória dos avós maternos. O menino permanece internado na enfermaria de pediatria do Hospital Municipal Mário Gatti. Segundo boletim médico, ele apresentou nesta sexta discreta melhora nosmovimentos do braço direito, depois de dois dias de fisioterapia, e não deverá sersubmetido a cirurgia por enquanto, devido a uma fratura na região do olho esquerdo.Os sinais do bebê estão estáveis, seu estado é regular e os picos de febre estão diminuindo, informou o boletim, que recomenda observação e continuidade da fisioterapia nos membros direitos, parcialmente paralisados.

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