Corpo de Bombeiros/Divulgação
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Pai salva família antes de casa desabar durante passagem de tornado

Alcimar Sutil, no entanto, morreu; outra vítima do tornado foi um pedreiro que trabalhava na hora em que fenômeno atingiu Xanxerê

Fábio Vendrame e MARCIO DOLZAN, Especial para O Estado

21 de abril de 2015 | 12h48

Atualizada às 22h27

FLORIANÓPOLIS - Entre as vítimas do tornado que continuam em situação delicada está o menino Gabriel, de 8 anos, encontrado com vida pelos bombeiros sob o corpo do pai, o motorista de transporte escolar Alcimar Sutil, de 33 anos, que morreu debaixo dos escombros após sua casa desabar.

Alcimar ainda conseguiu salvar a mulher e a filha caçula, de 5 meses, mas não teve tempo de retirar Gabriel antes que a residência viesse abaixo. O pai morreu protegendo a criança. O menino estava, até a noite de ontem, internado em coma induzido no Hospital Regional do Oeste, em Chapecó.

De acordo com a Polícia Militar, o auxiliar de armazenagem Deonir Francisco Conin, de 47 anos, também morreu durante a passagem do tornado pela cidade. Ele estava trabalhando na construção de um supermercado no momento em que o tornado arrasou Xanxerê. Conin faria aniversário ontem. Segundo relatos, sofria com o alcoolismo, mas estava em recuperação e havia retomado contato com a filha de 23 anos, com quem ficou sem falar durante 19 anos.

No momento em que a tempestade açoitou Xanxerê, 30 crianças brincavam no Ginásio Municipal de Esportes. Embora a estrutura tenha ficado completamente destruída, ninguém se machucou.

“A gente ficou muito assustada, o chão começou a tremer, nunca tinha visto nada parecido”, disse a estudante Letícia Arno. “A gente pensou que eles estavam mortos. Foi uma cena desesperadora (o desabamento do ginásio)”, relatou a mãe dela, Gilvânia Arno.


No meio da rua. Grande parte das residências destruídas era feita de madeira. Uma moradora relatou que ficou espantada ao dobrar a esquina e dar de cara com sua casa no meio da rua. “Quando virei a esquina, minha casa estava no meio da rua, daí olhei para o terreno, que estava vazio, e de repente minha casa sumiu”, disse a mulher.

Outra residência arrastada pela ventania foi a de Juraci Ferreira, que estava fora. “A casa partiu ao meio. A sala e os quartos foram parar no meio da rua. Só sobrou um pedaço do banheiro e da garagem”, relatou.

Segundo Vanessa Sguissardi, de 22 anos, que estava trabalhando no momento da passagem do tornado, tudo começou como uma chuva fraca. Aos poucos, porém, os ventos aumentaram. A empresa onde ela trabalha decidiu liberar os funcionários.

“É triste. Há buracos nas paredes de prédios, barro de cima a baixo em edifícios, casas inteiras no chão, carros destruídos, árvores arrancadas com raiz e tudo, postes de luz enrolados”, disse Vanessa.

Passos Maia e Ponte Serrada foram outras duas cidades também bastante atingidas pelo tornado. Cerca de 200 casas foram danificadas e oito pessoas ficaram feridas. 

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