Pai vai cuidar de menina torturada por empresária

Nove meses depois de ter sido adotada por uma família de Belo Horizonte, a menina L., de 13 anos, que sofria de maus-tratos em Goiânia, acaba de decidir seu futuro. A menina deixou a família adotiva há 22 dias, para retornar a Goiás. Ela pediu à Justiça para viver ao lado do pai, Lourenço, de 34 anos, em Trindade. "O sangue que corre nas veias dele também corre nas minhas", diz L.. "Eu o amo, vou ficar com ele e meus irmãos."L. foi libertada pela polícia em março do ano passado, após dois anos de tortura, praticada pela empresária Sílvia Calabresi, com quem morava, e pela empregada da casa. No momento da invasão, a menina estava acorrentada, amordaçada e com marcas pelo corpo. Em julho, a garota passou as férias escolares ao lado do pai, dos dois meios-irmãos, de 16 e 12 anos, e da mãe deles. "Gostei, pedi ao juiz pra ficar e ele aceitou", disse L.. Mais alta e bem nutrida, a menina frequenta o ensino fundamental em Goiânia e percorre diariamente, de ônibus e ao lado do pai, os 25 km que separam sua nova casa da escola. "Fiz amizade com meus colegas, ganhei amigos, estou feliz", disse.Acusada de ter entregue a filha à empresária em troca de dinheiro, Joana D?Arc, a mãe biológica de L., foi absolvida pela Justiça. Ela disputa a guarda da menina com Lourenço. Sílvia foi condenada a 14 anos, 11 meses e 5 dias de reclusão, em regime fechado, por tortura. A empregada, a 7 anos.

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