Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

Painéis do senado omitem queda de Collor em 1992

Segundo José Sarney, impeachment foi ''acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil''

Rosa Costa e Andréa Jubé Vianna, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Reinaugurado com pompa pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o "túnel do tempo" da Casa - como é chamado o corredor que liga o plenário a gabinetes de senadores - traz agora uma decoração que "reescreve" a história da Casa, omitindo fatos e elogiando o próprio Sarney.

Para Sarney, o impeachment de seu antigo desafeto - e hoje aliado - Fernando Collor em 1992 "não é marcante". "Olha, eu não posso censurar os historiadores encarregados de fazer a história, talvez esse episódio seja apenas um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil", alegou. "Mas não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que foram os que construíram a história, e não os que de certo modo não deviam ter acontecido. O que vale é que nós temos uma Constituição, sempre nos organizamos em torno da lei."

Além do impeachment de Collor, os painéis com os principais momentos da instituição, dos primeiros anos da Independência do Brasil até o ano passado, não fazem referência, por exemplo, à cassação do ex-senador Luiz Estevão (DF), em 2001. As CPIs que marcaram a atuação da Casa também ficaram de fora.

Outra omissão se refere à proposta do então senador Nelson Carneiro (do Rio de Janeiro, falecido em 1996), que em 1977 instituiu o divórcio no País.

Com relação às iniciativas de maior relevância aprovadas pelo Senado, foi destacado um projeto de Sarney de 1996 que assegura tratamento gratuito aos portadores de aids.

O atual presidente do Senado é ainda homenageado com a publicação de foto em que aparece jurando a Constituição, no lugar do presidente Tancredo Neves. Ambos foram eleitos pelo colégio eleitoral em 1984, mas Tancredo morreu antes de assumir o posto.

O painel com as principais propostas aprovadas pela Casa faz referência à extensão da licença-maternidade para 180 dias, passando a ideia de que se trata de uma medida obrigatória em favor de todas as mães, e não apenas para funcionários do serviço público. Cita também a Lei da Ficha Limpa, decorrente de uma proposta de iniciativa popular.

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