País aprendeu a ser sério, diz Lula sobre eleições

Para investidores espanhóis, presidente fala do 'preconceito' que sofreu, aposta na vitória de Dilma e garante que Serra não mudará o rumo do Brasil

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / MADRI

As eleições presidenciais de outubro não vão alterar o rumo do Brasil, seja quem for o vencedor. A garantia foi dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma plateia de investidores espanhóis, ontem, em Madri.

Depois de lembrar o preconceito que sofreu da classe empresarial nos anos 1980 e 1990, o presidente disse apostar na maturidade política do País. "O Brasil aprendeu a ser sério", afirmou Lula, adaptando a célebre frase atribuída ao ex-presidente da França Charles de Gaulle.

Com as declarações, Lula teve o objetivo de tranquilizar os investidores espanhóis sobre a estabilidade econômica e política do País em meio à campanha eleitoral. O cenário, lembrou o presidente, é diferente do vivido por ele mesmo nas eleições de 2002, 1998, 1994 e 1989, nas quais foi candidato pelo PT.

Lula disse ter convicção de que vai eleger a ex-ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, pré-candidata do partido à Presidência da República. Mas assegurou aos empresários que uma eventual vitória do pré-candidato do PSDB, José Serra, não representa um risco para a estabilidade do País.

"Não existe mais aquele discurso dos anos 80, quando se dizia que, se o Lula ganhasse as eleições, o Brasil iria acabar, que seria o fim do mundo, que os empresários iriam embora para Miami", ironizou. "Embora haja diferenças de programa e de candidatos, é muito difícil para quem ganhar as eleições mudar o Brasil a ponto de voltar a ser o que era antes. O Brasil aprendeu a ser sério."

Guerrilheira. Lula narrou aos ouvintes um encontro com um empresário espanhol que portava um documento com informações sobre Dilma, descrevendo-a como "guerrilheira". "Essa ex-guerrilheira pode ser a próxima presidente da República. O Brasil não aceita mais esse preconceito, esse debate."

Prova disso, disse o presidente, são as boas relações que os candidatos mantêm entre si. "A Marina Silva era minha ministra de Meio Ambiente até outro dia", contou. "O José Serra, embora seja do PSDB, é amigo de todo mundo aqui."

O presidente descreveu o pleito de 2010 como "uma conquista da democracia brasileira", porque traz como elemento novo a estabilidade política e econômica. "Nunca estivemos em um processo eleitoral tão tranquilo como o de agora, sem nenhum jornal e nenhum empresário com medo de quem vai ganhar."

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