Pais apresentam queixa contra pediatra em SP

A polícia recebeu hoje as duas primeiras representações de pais de crianças vítimas do pediatra Eugenio Chipkevitch, para que ele seja processado por atentado violento ao pudor. O pedido dos pais à polícia é uma exigência legal, pois as vítimas têm mais de 14 anos - quando elas são menores de 14, o próprio Ministério Público pode processar um acusado. O médico está preso desde o dia 21 por abusar sexualmente de seus pacientes.Uma das crianças cujos pais fizeram a representação aparece nas imagens gravadas pelo próprio médico durante sessões de abuso. Ela já havia sido identificada pela secretária do pediatra, Regina Célia Brasil Corrêa - que prestou novo depoimento à polícia hoje -, através das imagens nas fitas.O pai da vítima ligou para a delegacia para saber se seu filho era um dos que apareciam nas imagens. Ele contou que o menino tinha sido atendido pelo médico e que também teria sido sedado no consultório, durante a consulta. O delegado titular do 51.º Distrito Policial, Virgílio Guerreiro Neto, confirmou que o garoto estava entre os já identificados pela secretária do médico. A segunda vítima, que também foi sedada pelo pediatra, não aparece nas fitas, mas os pais fizeram a representação. "Mesmo sem a imagem gravada, o crime pode ter ocorrido", disse o delegado.As duas primeiras representações feitas são de famílias pobres, cujos filhos foram atendidos de graça pelo pediatra. Elas eram do Hospital Darci Vargas, onde Chipkevitch trabalhou até quatro anos atrás, quando pediu afastamento por licença.DepoimentosAlém da secretária, que está colaborando com a polícia na identificação das vítimas, o delegado ouviu hoje a ex-sócia do pediatra no Instituto Paulista de Adolescência, Maria Casagrande.Os policiais do 51.º DP já identificaram, através das imagens gravadas pelo médico, entre 15 e 20 crianças. O promotor José Carlos Blat, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), digitalizou fotos dos menores a partir dos vídeos, que serão mostradas aos pais.As imagens são tão chocantes que a polícia decidiu que não vai apresentá-las aos pais das vítimas - eles farão o reconhecimento através das fotos retiradas dos filmes. O delegado-titular do 51.º DP já recebeu diversos telefonemas de pais de pacientes do médico.Para preservar integralmente as vítimas, a polícia decidiu ouvir os pais em suas casas ou qualquer outro local. Em alguns casos, a polícia terá de convencer os pais a fazerem a representação, pois a suspeita é que algumas crianças sequer imaginam que sofreram violência sexual.O médico está numa das celas do 13º DP, na Casa Verde, local que abriga presos com nível universitário. Ontem, quando foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito após prestar depoimento no 51º DP - procedimento de rotina quando o preso é transferido -, o médico ouviu insultos de pessoas que estavam em um ponto de ônibus próximo. Uma mulher chegou a gritar que o pediatra tinha de ser morto.

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