País cria o ''projeto social para turista''

Após a redemocratização, em 1985, as visitas das "autoridades" americanas ao Brasil quase sempre foram acompanhadas de um pacote que alterna os protocolos dos cerimoniais com os chamados "momentos da vida real".

ALBERTO BOMBIG, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em boa medida, essa agenda alternativa remete ao modernista Oswald de Andrade (1890-1954) e sua crítica à "macumba para turista", a produção cultural brasileira feita sob encomenda para o gosto estrangeiro.

O Brasil atual instituiu a "agenda social para turista", as visitas a projetos desenvolvidos pelo Estado ou por ONGs em comunidades carentes previamente preparadas para receber as ilustres personalidades estrangeiras.

Foi assim com o ex-presidente Bill Clinton e com os ex-secretários de Estado Collin Powel e Condoleezza Rice. Em momentos diferentes, todos eles entremearam compromissos burocráticos com visitas a favelas ou a projetos ligados à cultura popular brasileira (capoeira, futebol, dança etc.).

Em 1997, o cantor e compositor de sambas Jamelão (1913-2008) traduziu o estado de espírito do então presidente Clinton durante passagem pelo Morro da Mangueira, onde jogou futebol e dançou: "Ele estava feliz como pinto no lixo".

George W. Bush, em 2007, não incluiu em seu roteiro algo do gênero, mas a então primeira-dama, Laura, esteve com crianças carentes na zona oeste de São Paulo.

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