Pais de alunos vão processar prefeitura de Amparo por danos morais

Pais de alunos do Serviço Social da Indústria (Sesi) de Amparo, a 140 quilômetros de São Paulo, formarão uma comissão e entrarão na Justiça contra a Prefeitura de Amparo, por danos morais. Pelo menos cem crianças, com idades entre 11 e 14 anos e alunas da unidade, foram obrigadas por um guarda municipal a ajoelhar em pedriscos enquanto esperavam por uma apresentação de teatro na manhã de segunda-feira, 16. A ordem teria partido como uma espécie de castigo, depois de uma pessoa que passava pelo local ter sido atingida com uma pedra atirada pelos estudantes.A Guarda Municipal afastou temporariamente o funcionário, identificado apenas como Pavan por testemunhas. Ele trabalhava para a corporação há 12 anos e tinha um registro de punição em sua ficha, por desobediência. O secretário de Governo e Cidadania de Amparo, Cássio Pacetta, informou na noite desta quinta-feira, 19, que prefeitura instaurou processo disciplinar para apurar o caso. Ele disse também que a Prefeitura de Amparo exonerou o comandante da Guarda Municipal, Gustavo Pontes. Segundo ele, a prefeitura não responsabiliza o comandante pelo ato de seu funcionário, mas achou por bem afastá-lo do cargo. IndignaçãoO funcionário público Serafim Domingos Faria Andrade, pai de uma menina de 13 anos que estava no grupo de estudantes, está indignado. "Nós, pais, já estamos conversando para reunir documentos e processar a prefeitura, já que o guarda é um servidor público. A idéia é formar uma comissão e cobrar por aquilo que, na minha opinião, foi um ato de tortura", afirmou. Andrade viu nesta quinta-feira, 19, o vídeo feito pelo coordenador cultural do teatro da Fundação São Pedro, Rafael Piffer, enquanto as crianças aguardavam para assistir a uma peça. Piffer testemunhou a atitude do guarda municipal e gravou com uma câmera digital 40 segundos dos cerca de cinco minutos que as crianças ficaram ajoelhadas nas pedras. As imagens estão em poder da Polícia Civil de Amparo, que investiga a denúncia de abuso de autoridade. "É humilhante", disse Piffer. "Depois de assistir ao vídeo fiquei ainda mais transtornado", afirmou Andrade. As cenas não foram divulgadas nem por Piffer nem pela polícia. A filha de Andrade, como outras crianças, ficou com os joelhos marcados. Ao menos dois estudantes passaram por exame de corpo de delito. O Sesi informou que seu departamento jurídico em São Paulo analisa quais medidas tomar neste caso. Matéria atualizada às 19h50

Agencia Estado,

19 de outubro de 2006 | 18h49

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