País deixa de gastar R$ 48 mi com lei seca

Acidente com mortos nas estradas federais caiu 13,6% em 60 dias

Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

21 Agosto 2008 | 00h00

Nos dois primeiros meses da vigência da lei seca, o Brasil deixou de gastar R$ 48,4 milhões com a redução no número de mortes só em rodovias federais. O Estado com a maior economia foi São Paulo, com R$ 11,5 milhões de despesas a menos com acidentes, seguido de Bahia, Minas e Distrito Federal. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que de 20 de junho até 20 de agosto deste ano, o número de acidentes com mortos caiu 13,6% na comparação com o mesmo período de 2007. Mais informações sobre a lei seca O número de acidentes fatais nesse período passou de 998, em 2007, para 862, em 2008. A quantidade de ocorrências com feridos também caiu - de 12.384 para 12.174. A cada morte evitada, o governo deixa de gastar R$ 467 mil e cada acidente a menos com feridos representa R$ 96 mil economizados, conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A economia envolve a redução de custos com a remoção das vítimas, atendimento pré-hospitalar, internação e atendimento médico, remoção dos veículos e permanência nos pátios da polícia, além de gastos com o deslocamento e o treinamento de agentes. Os gastos poderiam ser ainda menores (42%), não fosse o aumento no número de acidentes, resultado de mais velocidade nas estradas e aumento da frota. Os 1.072 acidentes sem vítimas a mais custaram aos cofres públicos R$ 20,3 milhões. Os dados da PRF mostram ainda que, apesar de diminuir o número de veículos fiscalizados, aumentou em 78,5% a quantidade de autuações por embriaguez nas federais - de junho a agosto de 2007, foram 1.030 registros, ante 1.839 no mesmo período deste ano. Com a nova legislação, foram presos 1.223 motoristas embriagados. O receio do governo de que os motoristas se recusariam a fazer o teste do bafômetro não se confirmou. Mesmo sob o risco de serem punidos, o porcentual dos que se recusaram a soprar o bafômetro chegou a 18,4% - ante 18,1% no ano passado. "Mesmo quando não havia punição para quem se recusasse a soprar, já existia a turma do contra", diz o diretor-geral da Polícia Rodoviária, Hélio Cardoso Derenne.

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