Pais esperam por reação

Por enquanto, poucos falam em transferências

Marici Capitelli, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

Para alguns pais a situação já chegou ao limite, uma vez que o caso vem sendo investigado há mais de um ano. Uma professorada universitária que é mãe de três alunos no Cristo Rei, que não quis se identificar, estava indignada. "Eu não quero esse homem perto dos meus filhos. O mínimo que a direção deveria fazer era afastá-lo. Desde que as investigações vinham sendo feitas, eu já estava preocupada e me incomoda muito a presença dele nos eventos da escola", diz a professora, que paga ao colégio R$ 2 mil de mensalidade.A empresária Claudia Breda, de 43 anos, conta que ficou muito preocupada quando soube das denúncias pela TV. "Conversei com o meu filho e ele disse que nunca foi assediado. Não penso em tirá-lo da escola porque o perigo está em todos os locais. O que temos de fazer é orientar as crianças."Uma educadora, de 45 anos, que também não quis se identificar, diz que está "muito aborrecida" com o que está acontecendo e se sente confusa porque não gostaria de tirar as crianças do colégio, considerado de excelente padrão. "Se ele fosse professor e tivesse contato com meus filhos, eu os tiraria da escola sem pensar. Sendo diretor, o contato é mais distante. De qualquer maneira, é necessário que a escola tome posição." Outra mãe, uma advogada, diz que a postura do colégio tem sido de "jogar sujeira debaixo do tapete". "Não queremos tirar nossos filhos, mas isso não pode ficar impune."O representante comercial Wladson Brito, de 32 anos, ex-aluno do colégio e pai de dois alunos, afirma que ele e a mulher ficaram apreensivos. Por enquanto, não pretendem tomar nenhuma decisão. "Temos de aguardar o julgamento. Se ele for condenado e a escola não tomar providências, vou ser um dos primeiros pais a cobrar alguma medida. Espero que a escola se antecipe."Tanto o delegado Celso Antonio Borlina, que investigou o caso, como o promotor Gilson da Silva foram procurados por pais aflitos. "Muitos pais e mães vieram à delegacia e olharam as imagens pornográficas que estavam no computador do religioso para ver se reconheciam filhos ou os amigos das crianças", diz o delegado. Entretanto, nenhuma criança foi reconhecida. Borlina e Silva se disseram chocados com as imagens. "São cenas horríveis, tudo da pior espécie que se possa imaginar", diz o delegado. Nesse material, as imagens são tanto de meninas como meninos que aparentam entre 12 e 14 anos de idade. Muitos estavam em poses simulando relações sexuais. "É material pesado mesmo", afirma o promotor.

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