País ´neutro´ analisará caixas-pretas, diz Aeronáutica

O Comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Luiz Carlos Bueno, reiterou neste domingo que as caixas-pretas do jato executivo Legacy e do Boeing da Gol foram enviadas para serem analisadas no Canadá porque o país é um "lugar neutro", além de ser a sede da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci). O choque entre os dois aviões matou 154 pessoas. Bueno disse que o objetivo principal das investigações sobre o acidente não é apontar culpados, mas esclarecer quais foram as causas do ocorrido. "Ninguém está em busca de culpados, mas sim em busca das causas que ocasionaram este acontecimento, para que algo assim não se repita", disse o comandante, após participar da cerimônia da troca da bandeira nacional, na Praça dos Três Poderes.Bueno também evitou comentar a pressão que alguns congressistas norte-americanos vêm fazendo para que os dois pilotos do Legacy, Joseph Lepore e Jan Paladino, sejam liberados pelas autoridades brasileiras para voltar aos Estados Unidos. "A parte política não é conosco. Não faz parte das atribuições da Aeronáutica opinar sobre isso." Para ele, a presença dos pilotos no Brasil ajuda na apuração das causas do acidente, enquanto a comissão de investigação julgar necessário. O porta-voz da Associação de Pilotos da American Airlines, Denis Breslin, criticou autoridades e imprensa brasileiras pelo tratamento dado aos pilotos do Legacy, e disse que pilotos americanos estão optando por não voar para o Brasil, em vista do que consideram uma injustiça.Durante a solenidade da troca da bandeira nacional, conduzida pela Aeronáutica, foi feito um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da Gol. Bueno acompanhou o evento no palanque de honra, acompanhado do ministro da Defesa, Waldir Pires.O comandante da Aeronáutica evitou fazer comentários sobre o andamento das investigações. "Só vamos poder nos pronunciar após o encerramento da investigação", disse, mais de uma vez, o militar. Sobre o tempo que levará para que as investigações sejam concluída, Bueno disse que será "o tempo necessário". O Brigadeiro voltou a dizer, entretanto, que no dia do acidente o controle aéreo do País estava funcionando normalmente. "Se teve algum problema, quem vai averiguar é a investigação." Após participar da solenidade de troca da bandeira, o ministro Waldir Pires foi até a Base Aérea de Brasília encontrar-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que embarcava para São Paulo para participar do debate da TV Bandeirantes. Pires, que esteve sábado visitando o local do acidente, foi fazer um relato ao presidente da situação dos trabalhos de resgate dos corpos. Segundo ele, Lula ficou satisfeito com os esforços dos homens da Aeronáutica que estão trabalhando no local do acidente.InvestigaçõesO jato Legacy colidiu com o Boeing da Gol, provocando o maior acidente da história brasileira, que matou 154 pessoas. A Aeronáutica acredita que tudo foi provocado porque, embora o jato dispusesse de um sofisticado sistema anticolisão, o transponder que permitiria seu funcionamento estava inoperante. E responsabilizou o piloto do Legacy, Joseph Lepore, pelo acidente.O Legacy e o Boeing da Gol estavam na mesma aerovia. O avião da Gol voava na altitude autorizada pelo controle, de 37 mil pés. O Legacy, que saiu de São José dos Campos (SP), em direção a Manaus, seguiu nos mesmos 37 mil pés autorizados até Brasília, e não desceu para os 36 mil pés como deveria. Deveria, também, entrar em contato com o controle aéreo de Brasília, para avisar que efetuou a mudança. Mas não o fez, sob a alegação, considerada ?impossível? pela Aeronáutica, de que não conseguiu falar com o comando de Brasília, o local mais vigiado do País. Estranhamente, o transponder inoperante voltou a funcionar instantes depois do choque com o avião da Gol, assim como o rádio de comunicação.

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