Pais que agrediram filhos fizeram exame psiquiátrico

Alexandre Alvarenga e Sara Rosolen Alvarenga, acusados de dupla tentativa de homicídio contra os filhos, foram submetidos nesta quarta-feira de manhã a exame psiquiátrico no Fórum de Campinas para a elaboração do laudo que definirá se eles podem ser responsabilizados criminalmente. Os peritos têm 45 dias para concluir o laudo. À tarde, 12 testemunhas de defesa do casal foram ouvidas em audiência. Também foi ouvida uma testemunha de juízo que disse ter visto os crimes, mas somente se apresentou depois que o processo já estava em andamento. Zilda Tercher afirmou que viu quando Alvarenga atirou o filho de um ano contra o pára-brisa de um carro em movimento e afirmou que Sara estava próxima do marido, a menos de três metros. Na reconstituição do crime, em março, Sara afirmou que estava distante pelo menos 36 metros do marido quando ele atirou seu filho contra o carro. ?Esse depoimento confirma que Sara atuou junto com o marido o tempo todo e que tem tanta responsabilidade quanto Alexandre no crime?, disse o promotor público Marcos Tadeu Rioli. Zilda confirmou ainda versão de outras testemunhas, que disseram à polícia que Sara chegou a tirar a arma de um policial militar que atendia a ocorrência, pedindo ao PM que a matasse e ao marido, para acabar o que eles tinham começado. ?Quanto ao crime, não há dúvidas, resta aguardar o laudo da perícia para saber se eles são imputáveis ou não?, acrescentou Rioli. O advogado de Sara, Pedro Marcelino, se limitou a dizer que a audiência ?foi boa?. O advogado de Alvarenga, Luiz Henrique Cirilo, comentou que foi feito nesta quarta-feira de manhã, a seu pedido, uma avaliação paralela do casal por um perito psiquiatra forense. ?Será um subsídio a mais para a Justiça?, alegou. Ele defendeu que ?não resta alternativa senão que Alvarenga é inimputável pelo crime?. Segundo Cirilo, na audiência o juiz pode conhecer melhor os antecedentes do casal, como a conduta social e a personalidade. As testemunhas de defesa, amigos e parentes de ambos, disseram que eles tinham um comportamento exemplar antes do ocorrido. Em fevereiro, Alvarenga atirou o filho de um ano contra um carro em movimento, depois de se envolver em um acidente de trânsito. Em seguida bateu várias vezes a cabeça da filha contra uma árvore. Sara não impediu o marido nem socorreu os filhos. Caso sejam considerados inimputáveis, ambos serão recolhidos a um hospital de custódia judicial para tratamento psiquiátrico. Alvarenga já estava no hospital de custódia de Taubaté, a pedido da defesa, e Sara responde ao processo em liberdade.

Agencia Estado,

04 Junho 2003 | 18h53

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