País quer monitorar ''faixa cega'' de radar

Em 2 anos, pretende-se ter controle por satélite da área em que desapareceu, há 45 dias, o avião da Air France

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

14 Julho 2009 | 00h00

Em dois anos, o governo brasileiro espera monitorar totalmente o trânsito sobre o Atlântico de aviões comerciais, no trajeto América do Sul-Europa - a mesma região em que aconteceu o desastre do voo 447 da Air France, há 45 dias. A revelação foi feita ontem, em Paris, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que visitará na quinta-feira as instalações de uma fabricante de satélites e veículos lançadores em Toulouse. O novo sistema de radares, com transmissão de dados via satélite, completaria o monitoramento do espaço aéreo que hoje - como nos anos 40 - ainda é feito de forma precária, apenas por rádio. "A FAB (Força Aérea Brasileira) está trabalhando para que essa região fique sob controle de radar", confirmou Jobim, lembrando que se trata de um consórcio internacional. Em lugar do vazio, o corredor de aviação civil entre Natal e Salvador, no Brasil, e a Europa será feito por meio do sistema CNS/ATN (Comunicação, Navegação e Vigilância/ Gestão do Tráfego Aéreo), já adotado em rotas entre os Estados Unidos e a Europa. O ministro da Defesa visitará as instalações da Astrium, a fábrica de satélites e de foguetes lançadores da holding EADS - proprietária da Airbus e da Eurocopter. O interesse brasileiro é contar com satélites de visibilidade simples, mas geoestacionários e de controle de espaço aéreo. "Não temos condições de caminhar para uma solução por satélites porque não temos satélites próprios. É um dos projetos que estamos vendo aqui", disse Jobim. Outra estratégia é não depender apenas do GPS, cujos dados são fornecidos pelo governo dos Estados Unidos. "Poderíamos alugar um espaço em um satélite, mas qualquer mudança na altitude cegaria o País", justifica Jobim. Em lugar de um único sistema de navegação, seria usado um pool formado pelo GPS, pelo europeu Galileu e pelo russo Glonass. "Poderíamos variar no uso destes três. Mas ao mesmo tempo precisamos desenvolver a base de Alcântara, para termos condições de lançar satélites." A carência de monitoramento do tráfego aéreo na fatia sul do Oceano Atlântico ficou clara com o acidente do voo Air France 447, em 31 de maio. O Airbus com 228 passageiros e tripulantes desapareceu, sem deixar rastros, na faixa "cega" entre a América do Sul e a Europa. Potencializada pela falta do monitoramento por radares, a falta de informações dificultou os trabalhos de busca dos destroços e de resgate dos corpos. CAIXA-PRETA Em reunião com o diretor-geral executivo da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, ontem, em Paris, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi informado sobre os trabalhos de buscas às caixas-pretas do Airbus, que seguem sendo feitas por robôs submarinos franceses. "A área é brutalmente escarpada, onde se dá o corte da Região Mezoatlântica. Eles dizem que estão tendo dificuldades", relatou. "É importante encontrar as caixas-pretas, que são elementos essenciais para descobrir as causas do acidente." Sobre a demora do governo brasileiro para enviar os exames de autópsia à Justiça e ao Escritório de Investigação e Análise para a Aviação Civil (BEA) da França, o ministro afirmou não ter ingerência sobre o assunto, empurrando o problema para outras esferas do governo. "Esse é um assunto do Ministério da Justiça, da Polícia Civil (de Pernambuco) e da Polícia Federal."

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