País tem 15 anos para usar bônus demográfico

Isso ocorre quando população economicamente ativa é mais de duas vezes maior do que crianças e idosos; para garantir potencial é preciso garantir educação e saúde de qualidade

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2014 | 22h00

BRASÍLIA - O Brasil tem apenas cerca de 15 anos para aproveitar os benefícios do bônus demográfico, quando a população economicamente ativa ainda é mais de duas vezes maior do que os chamados dependentes - crianças e idosos. O relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) deste ano mostra que boa parte dos países em desenvolvimento estão atualmente em condições de transformar esse momento em um impulso ao crescimento, mas precisam investir em educação e saúde e em uma economia instável. 

"O potencial (do bônus demográfico) pode ser enorme, desde que haja políticas econômicas de apoio e os investimentos em capital humano, particularmente nos jovens, sejam substanciais e estratégicos", diz o relatório Estado da População Mundial 2014. "Sem uma economia sólida e uma estrutura política para apoiá-la, o dividendo pode não se realizar." 

O bônus acontece quando um país consegue diminuir a mortalidade infantil, consequentemente aumentando a expectativa de vida, e reduzir também a taxa de natalidade. Com famílias menores, mais mulheres entram no mercado de trabalho, mais recursos que antes eram usados para criar filhos podem ser dedicado à formação e à saúde das crianças existentes.

Mas, para usar isso em todo seu potencial, os países precisam garantir educação de qualidade e saúde para que essas crianças se transformem em jovens aptos a encontrar empregos de qualidade. 

O relatório aponta, por exemplo, a Coreia do Sul como um exemplo de um país que foi capaz de usar seu bônus demográfico. De 1950 para cá, o produto interno bruto sul-coreano cresceu 2.200%. O relatório aponta que entre um terço e metade do crescimento do PIB per capita no sudeste asiático pode ser atribuído ao bônus demográfico. 

No Brasil, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, hoje, para cada 100 pessoas economicamente ativas - entre 15 e 64 anos - 52,3 são dependentes, incluindo crianças e idosos. Na década de 70 eram 83 para cada 100. Essa tendência continua até 2020, quando a projeção é de que chegue a 48,8, e então comece a aumentar. Em 2050, a cada 100 pessoas economicamente ativas, 57,8 serão dependentes.

"O bônus demográfico é uma oportunidade que o País tem para se desenvolver economicamente e incluir. O Brasil tem feito progressos, mas ainda tem muitos desafios pela frente", afirma Anna Cunha, oficial de projetos do UNFPA. "Para tirar o melhor proveito possível para que os jovens encontrem um ambiente para adquirir as capacidades exigidas e entrar no mercado de trabalho com qualificação." 

Baixa qualificação. Apesar do crescente investimento em educação, o Brasil ainda tem uma população jovem com pouca qualificação, o que se reflete na dificuldade de ocupar vagas de trabalho qualificadas. Apesar dos baixos índices de desemprego registrados até esse momento, o trabalhador brasileiro ainda é pouco qualificado, o que se reflete em uma renda abaixo do possível. Apenas 12% tem curso superior. Em média, os brasileiros tem apenas 7,5 anos de estudo - 33,5% dos brasileiros têm apenas o ensino fundamental incompleto. 

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