Pais vão à Austrália para esclarecer morte de estudante gaúcha

Corpo de jovem foi encontrado em apartamento de médico sob suspeita de overdose, segundo imprensa do país

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

01 de dezembro de 2009 | 17h13

Os pais da estudante brasileira Suellen Domingues Zaupa, morta em circunstâncias misteriosas em Sidney, embarcam para a Austrália logo que conseguirem o visto e lugar num dos voos para aquele país, possivelmente nesta quarta-feira. Além de liberar o corpo para a cremação, eles esperam obter das autoridades australianas os esclarecimentos sobre o caso. "Eles nos disseram que em situações trágicas como essa as informações ficam sob sigilo até a chegada de algum familiar", relata o empresário Luiz Antonio Zaupa, pai da jovem.

 

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Segundo a imprensa australiana, o corpo da estudante de 22 anos foi encontrado no dia 21 de novembro no apartamento do médico Suresh Nair, de 41 anos, que estava sendo procurado por ter sumido de seu trabalho. A perícia concluiu que ela estava morta havia 36 horas, indicando que o óbito possa ter ocorrido no dia 19.

 

Os jornais australianos relatam que o médico é suspeito e deve comparecer a um tribunal para prestar depoimento no dia 15 de dezembro. Entre as hipóteses levantadas pela imprensa estão a de que a estudante teria ingerido um coquetel de medicamentos e drogas repassados por Nair. "Pelo que eu falava com ela e por depoimentos de amigos, é difícil acreditar nessa hipótese", afirma o pai. "Ela não tinha motivos para isso". Nair já havia sido suspenso de suas atividades médicas por duas vezes, em 2004 e 2008, por problemas de saúde não especificados.

 

Suellen nasceu em Porto Alegre, filha do primeiro casamento de Zaupa, com a contadora Solange Domingues, e fez o segundo grau em Venâncio Aires, no interior do Rio Grande do Sul. Há três anos foi para a Austrália aperfeiçoar o inglês e, na sequência, passou a estudar hotelaria, com custos pagos pela família.

 

"Desde que concluiu o segundo grau ela dizia que queria viajar, conhecer o mundo", conta o pai, revelando que, quando começou o curso ela entendeu que tinha encontrado sua vocação. "Ela era alegre, ambiciosa e determinada", descreve, citando os projetos que Suellen tinha, de voltar para uma temporada de férias no Brasil em dezembro, trabalhar na África do Sul durante a Copa do Mundo e depois em Dubai.

 

Ainda conforme o empresário, sua filha estava determinada a percorrer uma trajetória passo a passo, conhecendo cada função do ramo que escolheu, para um dia chegar à gerência de alguma rede internacional de hotéis. A família soube da morte de Suellen na quinta-feira passada, por um telefonema dado pelo pai de uma colega.

 

Amigos dela na Austrália também repassaram a notícia, mas a confirmação das autoridades só chegou no domingo, dia 29. "Foi muito penoso esperar todo aquele tempo", relata Zaupa, que diz entender que a polícia australiana teve rotinas a cumprir, como esperar a ficha dactiloscópica enviada pela Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul, antes de repassar a informação. O empresário afirma que a família está sendo tratada adequadamente pelas autoridades australianas e brasileiras.

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