Paissandu, o ''cinema dos intelectuais'', é tombado no Rio

A história do cinema Paissandu, localizado no Flamengo, zona sul do Rio, chegou ontem a um final feliz. Fechado há um mês, quando o grupo Estação Botafogo anunciou que não tinha condições de continuar administrando o cinema sem um patrocinador, o Paissandu foi tombado pelo prefeito Cesar Maia como patrimônio cultural da cidade. Intelectuais e cineastas, alguns remanescentes da chamada Geração Paissandu, que deu fama ao lugar nos anos 60 lotando as sessões dos filmes do francês Jean-Luc Godard, tinham iniciado uma campanha pelo tombamento temendo que a família Valansi, dona do imóvel e de outras oito salas na cidade, vendesse o cinema. Cláudio Valansi, um dos herdeiros dos fundadores do Paissandu, disse ontem que o tombamento era desnecessário. "Nunca pensamos em vender o cinema para igreja evangélica ou qualquer outro fim como andaram falando", disse. Valansi anunciou que, nos próximos dias, a família e o grupo Estação Botafogo vão assinar um acordo com o Serviço Social do Comércio (Sesc). "O Estação vai administrar e o Sesc vai patrocinar o Paissandu por dez anos. Só estamos acertando questões burocráticas", afirmou. Depois de passar por obras de modernização, o Paissandu vai reabrir com uma programação de filmes de arte que marcaram a sua história. "A idéia deles é manter uma sala única e não dividir em multiplex. Será essencialmente um cinema de arte. Espero que o Sesc fique lá por mais 30 anos", disse Valansi. GLAUBER E TRUFFAUT Inaugurado em dezembro de 1960, o Paissandu é o único cinema brasileiro que carrega na sua história a façanha de ter ajudado a formar uma geração de cinéfilos. Em seu auge, entre os anos 1965 e 1970, em plena ditadura militar, jovens lotavam as salas para ver o último filme de Godard, Truffaut e de jovens cineastas do cinema novo, como Glauber Rocha. Em 1990, já dando prejuízo, foi arrendado pelo grupo Estação.

Márcia Vieira, O Estadao de S.Paulo

04 Outubro 2008 | 00h00

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