Divulgação
Divulgação

Paixão de Cristo no agreste reúne 20 mil pessoas em 3 dias de apresentações

Organização do espetáculo, estimado em R$ 8 milhões, espera recuperar público perdido nos últimos dois anos; com a alta do dólar, mais brasileiros buscariam mais viagens internas

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

31 Março 2015 | 14h25

RECIFE - Depois de dois anos consecutivos com queda de público, o espetáculo da Paixão de Cristo, encenado no que é considerado o maior teatro ao ar livre do mundo, em Nova Jerusalém, no município de Brejo da Madre de Deus, a 180 quilômetros do Recife, no agreste, foi visto por mais de 20 mil pessoas apenas nos três primeiros dias de apresentação, iniciada no dia 28. A encenação vai até o dia 4.

A expectativa é recuperar o público, que chegou a 70 mil pessoas por temporada até 2012 e caiu para 54 mil no ano passado. A tradição e credibilidade do espetáculo - em tudo grandioso - aliada à alta do dólar são, de acordo com o seu coordenador-geral, Robinson Pacheco, as razões para a esperada retomada de público.


Pesquisa realizada pela produção indicou que, entre os que assistiram ao espetáculo, 51% viram a produção pela primeira vez, o que Robinson considera alentador. Segundo o coordenador-geral, a moeda americana cara faz com que muita gente procure atrações dentro do País, o que poderá beneficiar a Paixão de Cristo, que tem um custo de R$ 8 milhões e é apresentada em uma réplica da Jerusalém de dois milênios atrás.

A cidade teatro tem área de 100 mil metros quadrados, é cercada por uma muralha de pedras e abriga nove palcos gigantes que reproduzem o Palácio de Herodes, o Fórum de Pilatos e o Cenáculo da Última Ceia, entre outros cenários. Com 50 atores e 400 figurantes, o público participa do espetáculo acompanhando palco a palco o desenrolar do martírio e ascensão de Jesus.

Uma das inovações deste ano é um efeito especial na última cena, da ascensão, quando, em meio a nuvens de gelo seco, Jesus se transforma em uma estrela azul que sobe ao céu até desaparecer, dando a ideia da passagem da forma física para a espiritual. "A cena tem emocionado. É o sonho de todo cristão, todo  mundo quer ir para o céu", diz Robinson, filho do idealizador do espetáculo e da cidade teatro, Plínio Pacheco, falecido em 2002. Plínio dirigiu o drama pela primeira vez, na cidade teatro, há 38 anos.

A trilha sonora, na avaliação de Robinson, equivale a 50% do espetáculo, reverberando emoção e dramaticidade. Ele comparada o som ao do cinema, assim como outros efeitos especiais a exemplo da levitação de Judas; o surgimento do diabo no meio do cenário do Horto; terremotos e relâmpagos na Crucificação de Jesus.

Os protagonistas são atores globais - desta vez Igor Rickli, Paloma Bernardi e Humberto Martins representam respectivamente Jesus, Maria e Pilatos. Entre os pernambucanos, José Barbosa - que já fez Jesus - interpreta Judas e o veterano Carlos Reis, também um dos diretores do espetáculo, faz Herodes.

Depois de assistir à encenação, nesta segunda-feira, 30, o arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, destacou a arte e técnica do espetáculo e disse ser "sempre bom ver a satisfação e emoção do povo" ao assistir ao drama da Paixão. "Cria um bom clima para a Semana Santa", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.