Palanques múltiplos são problema em Estados importantes

Palanques múltiplos são problema em Estados importantes

Um dos imbróglios está no Rio, onde o PT não tem candidato próprio e terá de escolher entre dois aliados: PMDB e PR

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2010 | 00h00

Depois de deixar a Casa Civil para poder cuidar oficialmente de sua campanha presidencial, a petista Dilma Rousseff sabe que uma de suas prioridades será pacificar os aliados em pelo menos cinco Estados estratégicos eleitoralmente. Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Maranhão terão aliados governistas em choque direto, o que poderá comprometer o desempenho da candidata.

Juntos, esses cinco Estados representam cerca de 35,3% do eleitorado nacional, ou um contingente de 46,8 milhões de votos. Se os aliados de Dilma estivessem unidos, teriam mais capacidade para transferir seu prestígio regional para a candidata petista. Divididos, criam constrangimentos para Dilma e para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que precisarão redobrar a cautela para evitar crise entre os aliados por conta de uma eventual preferência dada a algum desses candidatos em detrimento de outros.

Em Minas, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 14,2 milhões de eleitores, o PT não conseguiu amarrar um acordo com o PMDB local (leia texto nesta página). O ex-ministro das Comunicações Hélio Costa lidera as pesquisas, mas não teve sucesso até agora em convencer os petistas a apoiá-lo para o governo. A maior resistência vem do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, pré-candidato e um dos coordenadores da campanha de Dilma.

No Rio, que concentra o terceiro maior número de eleitores - 11,3 milhões -, um acordo desse tipo é impossível. Os dois candidatos da base e líderes nas pesquisas são o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e o ex-governador Anthony Garotinho (PR), hoje adversários ferrenhos. Ambos pleiteiam a participação de Dilma e Lula em suas campanhas.

Situação semelhante ocorre na Bahia, onde o governador Jaques Wagner (PT) terá o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima (PMDB) como adversário. Como Cabral e Garotinho, Wagner e Geddel eram aliados e romperam relações publicamente.

No Maranhão, contrariando a orientação nacional do partido, que defende o apoio à reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB), o PT aprovou a coligação em torno da candidatura do deputado federal Flávio Dino (PC do B). O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pediu a intervenção da cúpula do PT e do próprio Lula, mas não obteve sucesso até agora.

"Derrotamos o capeta para libertar Dilma e Lula. Seria um suicídio político nos aliarmos ao PMDB de Roseana Sarney", disse o deputadol Domingos Dutra (PT-MA), líder do movimento pela aliança com Flávio Dino.

No Rio Grande do Sul, PMDB e PT também não se acertaram. José Fogaça (PMDB) renunciou à Prefeitura de Porto Alegre para enfrentar o ex-ministro da Justiça Tarso Genro (PT) na disputa pelo governo. No caso de Dilma, a briga pelos 7,9 milhões de votos do Rio Grande do Sul é mais delicada ainda, já que despontou para a vida pública no Estado.

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