Palocci critica proposta de Nakano para reduzir juros

O ex-ministro e candidato a deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) Palocci criticou a proposta do economista tucano Yoshiaki Nakano, que defende uma política econômica com câmbio alto e juros baixos. "Falar de queda maior dos juros sem estabelecer uma pauta de avanços na qualidade do gasto, nas reformas e na melhoria institucional é pura retórica. Não leva a nada", afirmou. Segundo ele, em oito anos de governo, o PSDB aprendeu que "juros não caem no grito".Palocci foi demitido do governo Lula, após a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Nildo, como é conhecido o caseiro, denunciou às visitas do ex-ministro à mansão alugada em Brasília pelos lobistas conhecidos hoje como república de Ribeirão Preto.Ele disse não acreditar que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, perdeu respaldo desde sua saída do ministério. Para ele, Guido Mantega, atual ministro da Fazenda, "é uma pessoa muito serena e responsável". "Além disso, o presidente Lula sempre respaldou o Banco Central e a equipe de Henrique Meirelles nas horas mais difíceis. Por que não faria agora, quando a inflação está tão baixa e os juros estão em queda?", questionou, disse, em entrevista à Revista IstoÉ Dinheiro, deste final de semana. Sobre Lula, disse ainda não considerá-lo conservador, mas sim racional. "Tem perfeita noção da relação entre esforço e resultado."Ainda sobre os juros, admitiu que ainda são altos, embora sejam os menores dos últimos 31 anos. Ele citou o fato de o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, terem interrompido a alta dos juros, como um fator positivo para estimular a queda dos juros. "Temos que ter maior autoconfiança e dizer ao mundo ´saiam da frente, pois o Brasil quer crescer!´ ", disse.Palocci criticou a proposta do economista tucano Yoshiaki Nakano, que defende uma política econômica com câmbio alto e juros baixos. "Falar de queda maior dos juros sem estabelecer uma pauta de avanços na qualidade do gasto, nas reformas e na melhoria institucional é pura retórica. Não leva a nada", afirmou. Segundo ele, em oito anos de governo, o PSDB aprendeu que "juros não caem no grito".Palocci disse não ser necessária uma agenda mínima para a economia para ser cumprida pelo próximo presidente. De acordo com ele, a agenda agora é outra. "Temos que avançar no fortalecimento dos marcos regulatórios para aumentar o investimento privado e melhorar a qualidade dos gastos do Estado", disse. Segundo ele, isso aumentaria o investimento público em infra-estrutura e educação.O ex-ministro acredita ser fundamental que seja criada uma perspectiva de redução segura da carga tributária ao longo do tempo. Segundo ele, isso só pode ser obtido com compromisso fiscal de longo prazo. "Acho que os próximos passos são simplificar o ICMS e solucionar a questão do pagamento dos créditos dos exportadores", disse.Em relação à política, no entanto, Palocci acha essencial que o próximo presidente, assim que confirmado após as eleições, deve se pronunciar pela unidade do País, munido de uma pauta de avanços econômicos e sociais. "Deve ter humildade de ouvir a oposição, dialogar com os governadores e com toda a sociedade", sugeriu. E acrescentou: "é importante que a reforma política seja feita logo no início do novo governo. Isso já ficou claro".Para Palocci, Lula merece ser reeleito. "É um bem social, um bem econômico e um bem moral, porque nosso nível de desigualdade é um entrave para o crescimento de longo prazo", disse. Apesar das denúncias de corrupção envolvendo aliados do governo Lula, Palocci considera que o governo foi transparente e estimulou as investigações. "O presidente nunca temeu nem evitou que os problemas ocorridos fossem esclarecidos", afirmou. "Sinceramente, não acho que o povo brasileiro duvide de que o presidente Lula é um homem honesto", completou.Da crise, Palocci garante ter tirado duas lições. Quinze quilos mais magro, considera que a economia está realmente forte e estável. "Só isso explica o fato de, nos primeiros meses deste anos, a economia estar no céu, e o ministro, no inferno", disse. A outra lição é política. "A política nos cobra, muitas vezes, preços altos demais. Mas estou tranqüilo para fazer um retorno humilde", finalizou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.