Palocci pede apoio a Lula e desculpas aos eleitores

Em sua primeira aparição pública após deixar o cargo, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci defendeu com veemência, na noite de sexta-feira, o apoio à reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e pediu desculpas aos eleitores por seu distanciamento durante o período em que esteve no governo. A defesa da reeleição de Lula aconteceu um dia após o próprio presidente admitir, pela primeira vez, que afastou Palocci do ministério da Fazenda por suspeitas de irregularidades.O agora candidato a deputado federal participou de um jantar-comício para cerca de 500 militantes e simpatizantes que marcou também, após um ano e três meses, seu retorno para um evento oficial em Ribeirão Preto (SP), cidade a qual governou por duas vezes. Depois de demorar 15 minutos da entrada do local até o palco, Palocci citou, em um curto discurso, 11 vezes o nome de Lula e só pediu voto para ele próprio no final de sua fala.No início, pediu dedicação da militância para a reeleição do presidente. "Hoje, o Brasil tem o menor grau de risco de sua história, sob a presidência de Lula. Hoje o Brasil tem a menor inflação da história recente, sob a presidência de Lula. Hoje temos a melhor situação de distribuição de renda dos últimos anos, sob a presidência de Lula", justificou o ex-ministro que elogiou programas sociais implantados no atual governo, como o Bolsa-Família.Em seguida, Palocci afirmou aos militantes e simpatizantes que precisava saldar uma dívida com os presentes que o apoiaram e o elegeram nas cinco campanhas eleitorais disputadas e vencidas - vereador, deputado estadual e federal, além de prefeito por duas vezes. "Durante os três últimos anos e meio fui convocado para uma grande batalha: estabilizar a economia brasileira e tenho certeza que fiquei mais distante de vocês do que eu gostaria e que vocês gostariam. Quero me desculpar com vocês neste momento por essa distância", afirmou sob aplausos.Apesar das desculpas pela ausência, Palocci deve evitar novas aparições em Ribeirão Preto até o final das eleições, como relatou sua própria mãe, Antonia Palocci, a dona Toninha. Antes do jantar, ela revelou que Palocci deve priorizar ações na região metropolitana de São Paulo e deixar para ela e apoiadores a busca por votos na cidade em que foi prefeito por duas vezes. Disse ainda esperar que o filho tenha entre 150 mil e 200 mil votos, sendo 65 mil a 80 mil em Ribeirão Preto.LivroPalocci voltou ainda a falar sobre o governo Lula e contou que está escrevendo um livro sobre suas experiências no Ministério de Fazenda a ser publicado e entregue aos eleitores antes do final do ano. "Estou escrevendo um livro com todos os momentos felizes e tristes do trabalho no ministério; sobre todos os momentos de vitórias e derrotas nesse período de muita luta", afirmou. O ex-ministro encerrou o discurso pedindo ainda o apoio aos candidatos paulistas a governador e senador pelo PT, respectivamente Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy.Quando os jornalistas se aproximaram e Palocci explicava que já tinha falado tudo no discurso, a assessoria de imprensa do ex-ministro o interrompeu com empurrões nos repórteres. Palocci retornou e afirmou: "vocês são bem-vindos, mas já falei tudo".A reportagem da Agência Estado fora barrada no evento e só conseguiu acompanhá-lo porque uma militante petista estava dando convites para os que não possuíam. Até então, a informação era de que todos os 500 convites estavam esgotados desde quarta-feira e foram vendidos a R$ 40 cada. No entanto, vários convidados do evento relataram que tinham ganhado o convite. "Eu recebi de uma professora da USP", afirmou uma delas, moradora do bairro Adelino Simioni, periferia de Ribeirão Preto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.