Pane da Telefônica silencia bombeiros e polícia

Telefones fixos falharam e a rede celular congestionou; empresa disse não saber o motivo

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

Em 74 anos de história do Centro de Operações da PM (Copom), ontem foi registrada a interrupção mais longa do serviço. Das 10h50 às 12h10, a população não teve como pedir socorro pelo 190 (polícia) e pelo 193 (bombeiros). A polícia estima que isso prejudicou o atendimento de 3 mil ocorrências, incluindo emergências como desabamentos, soterramentos e pessoas ilhadas na enchente.

 

Galeria: os estragos e imagens do dia de caos

Menos de duas semanas depois de a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ter liberado a venda do Speedy, a banda larga da Telefônica, a operadora sofreu nova pane. Dessa vez, foram os telefones fixos da Grande São Paulo, que apresentaram problemas na manhã de ontem. Em comunicado, a empresa reconheceu os problemas das 11 horas às 12h10. Mesmo assim, muita gente já reclamava antes desse período e continuou a queixar-se depois. "A situação da rede de voz foi normalizada às 12h10, havendo situações de instabilidade localizada em pequena parcela de clientes residenciais, serviços 0800 e alguns clientes empresariais", informou.

Na Padaria Patriopan, na Rua dos Patriotas, no Ipiranga, assim como em milhares de casas comerciais ontem, o problema aumentou no almoço. Os clientes não conseguiam fazer o pagamento da conta porque o sistema de cartão de débito, juntamente com os telefones, estavam fora do ar. "Ia almoçar e acabei comprando só refrigerante. Por sorte tinha moedas no carro e consegui pagar a conta", afirmou Carol Mattos.

A pane teve reflexo nas redes celulares, que ficaram congestionadas e tiveram dificuldades para completar chamadas. Até o número da Central de Relacionamento da Telefônica foi afetado. "Telefone temporariamente fora de serviço" dizia a mensagem gravada.

A Telefônica não informou os motivos do problema. Só citou, em comunicado, "um conjunto de oscilações na rede de serviço de voz". O engenheiro Virgilio Freire, ex-presidente da Vésper, empresa que concorria com a Telefônica, escreveu em seu blog que existem dois motivos prováveis para a pane: infiltração de água nos cabos subterrâneos e aéreos ou nas centrais. "Em ambos os casos, a causa está numa instalação "capenga", e na falta de manutenção preventiva", escreveu. "Manutenção preventiva é um procedimento adotado por empresas de primeira linha no setor e consiste em não esperar que os defeitos ocorram. "

Na avaliação da Anatel, a pane durou das 10h30 às 14 horas, mais do que disse a Telefônica, mas menos do que sentiram os clientes da operadora. Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a agência informou que ainda está apurando o motivo do problema, as áreas afetadas e a quantidade de usuários prejudicados. A Anatel informou que os usuários serão ressarcidos pelo tempo em que o serviço ficou fora do ar

Com telefones de emergência mudos em São Paulo ontem - segunda ocorrência em três meses - e prevendo novas panes com o início da temporada de chuvas, a direção do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) vai reunir-se com a Telefônica para estudar alternativas ao modelo atual - a PM planeja fazer o mesmo.

"Não podemos ficar parados enquanto as pessoas se desesperam. Alguma alternativa temos de procurar", disse o coordenador da Central de Operações do Samu, Domingos Napoli. "Não sabemos como vai ser amanhã, se vai chover ou não, se vamos ter problemas ou não. As chuvas apenas começaram. O sistema tem de ser confiável." Entre 10h30 e 12h, a central do Samu não recebeu ligações no 197 - na estimativa do Samu, cerca de 70 casos deixaram de ser atendidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.