Pane em radar foi 'desesperadora', diz controlador de vôo

Controladores foram obrigados a usar rádios da Infraero para monitorar aviões que passavam sobre o Amazonas

André Alves, Agência Estado

21 Julho 2007 | 13h23

A madrugada foi de desespero para controladores de vôo que atuavam no monitoramento de aeronaves no Cindacta-4, em Manaus, no início deste sábado. Às 23h45 de sexta-feira, os monitores que controlam o tráfego de aviões no Amazonas apagaram, por falta de energia. Segundo informações extra-oficiais, os três geradores de energia do centro de controle não funcionaram. "Os aviões foram obrigados a ficar taxiando sobre os céus de Manaus, às cegas", contou um controlador de vôo. "Alguns colegas meus começaram a chorar. Foi desesperador", acrescentou.   Veja também:    FAB    Falha de radar na Amazônia interrompe 11 vôos internacionais   Na tentativa de evitar uma tragédia, os controladores foram obrigados a usar rádios da Infraero para monitorar aeronaves que passavam sobre o Amazonas.   Nesse momento, dois aviões da American Airlines - um de número 962, Guarulhos-Miami, e outro de número 906, que também ia de Guarulhos para Miami -, foram contatados por rádio e forçados a descer no aeroporto internacional Eduardo Gomes.   A Infraero confirma que o vôo 962 (aeronave modelo 763-300), da American Airlines, pousou no aeroporto Eduardo Gomes às 0h52 de sábado, e só conseguiu partir às 5h52. Ainda de acordo com a Infraero, o segundo vôo da American Airlines (modelo 777-200) pousou no aeroporto de Manaus às 0h58 e só foi autorizado a partir às 5h45. Ambos não tinham escaladas previstas na capital do Amazonas.   Da meia noite deste sábado até às 10h da manhã a Infraero registrou cinco chegadas com atraso de mais de uma hora, em virtude do "apagão" no Cindacta 4. Nesse período havia um total de oito vôos programados para aterrissarem em Manaus, o que significa dizer que 62,5% dos vôos sofreram atrasos. Duas chegadas foram canceladas.   Ainda de meia noite às 10h, cinco partidas registraram atrasos de mais de uma hora, quando um total de 14 vôos estavam programados para partir. Duas saídas foram canceladas no período.   Durante a madrugada de sábado, um supervisor da Infraero registrou no sistema da empresa a seguinte frase: "O Centro Amazônico (Cindacta 4) ficou operando com restrições em comunicação e radar a partir das 23h45. Retornou a operar sem restrições às 2h28". Ele cita, ainda, que devido a interrupção no monitoramento por radar, pousos e decolagens ficaram interrompidos das1h45 às 3h.   O Comando da Aeronáutica informou que vai se pronunciar sobre o assunto por meio de nota em sua página oficial na internet.  O gerente regional da Anac, coronel Eudes Ferreira, foi procurado para comentar o assunto, mas limitou-se a dizer que "a situação já estava normalizada".

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