Pane no Cindacta causou paralisação total de vôos no País

Uma nova pane no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1), responsável pela segurança aérea das regiões Sudeste e Centro-Oeste, provocou total paralisação de vôos e decolagens na manhã deste domingo, 18 nos aeroportos do País. Segundo informações do site da Infraero, até o início da noite de domingo, 108 vôos estavam atrasados.A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), determinou que o Aeroporto Internacional de Congonhas, na zona sul de São Paulo, iria funcionar até às 1h30 (o horário normal de fechamento é às 0 hora), para tentar minimizar os problemas causados durante o dia. A dificuldade ocorreu durante 20 minutos, a partir das 10h40. Somente por volta das 14 horas, o sistema informatizado de comunicação do Cindacta-1 foi consertado. Entretanto, os atrasos e o congestionamento nos aeroportos eram enormes. A expectativa de técnicos do setor era de que, sem novos imprevistos, somente por volta das 22 horas as operações fossem normalizadas e os aviões voltassem a decolar e aterrissar nos horários.O presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, afirmou que a situação provocou uma sobrecarga nos aeroportos e que o obstáculo teria sido pior se a falha tivesse ocorrido durante a semana, quando o tráfego aéreo é sempre maior.O defeito no Cindacta-1 provocou mobilização de autoridades do governo, que temiam um novo caos nos aeroportos do País. O ministro da Defesa, Waldir Pires, foi acionado. O novo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, preferiu ir até as instalações do Cindacta-1, em Brasília, para ver de perto o que acontecia no sistema.Somente depois de contornar a pane, o Ministério da Defesa prestou informações sobre o apagão de deste domingo. Em nota, informou que o problema interrompeu os contatos entre a sala de plano de vôo e o controle de tráfego aéreo e que o sistema teve de ser operado, manualmente, nesse período.No final de 2006, os aeroportos do País enfrentaram uma série de atrasos, com longas filas, principalmente nos feriados de Natal e reveillón. Apesar da expectativa de que novos problemas poderiam acontecer durante o carnaval, um plano conjunto traçado pelas empresas aéreas, pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e pela Infraero.A nota da Aeronáutica atribuiu, inicialmente, os estorvos de atrasos de vôos ao fechamento do Aeroporto Internacional de Congonhas, na zona sul de São Paulo, entre às 7 e 9 horas, por causa da forte chuva que caiu na capital paulista."Além do problema das chuvas, o sistema de gerenciamento de planos de vôos do Cindacta-1 teve de ser reinicializado, devido a questões técnicas, por volta das 10 horas", informou.RadaresCom o branco no sistema, os pilotos não conseguiam repassar aos controladores os planos de vôo. As informações chegavam atrasadas às telas do radar ou, simplesmente, eram perdidas. Nas telas, os controladores não conseguiam obter os dados de cada vôo - o número, origem, destino e altitude. Com isso, as autorizações para pouso e decolagem passaram a ser feitas por telefone, num processo tão lento que provocou espaçamento de 30 minutos entre os vôos ao longo de duas horas.Técnicos da Aeronáutica relataram que, com o impedimento, o servidor principal do Cindacta-1 precisou ser reiniciado. O programa teve de ser removido e limpo para depois ser reinstalado. Depois, foram refeitos a formatação, a reestruturação e os testes, até a liberação para uso. O mesmo procedimento repetiu-se no servidor auxiliar.Como o sistema não fornecia, na tela do radar, informações confiáveis, os técnicos de informática aconselhavam aos controladores não operar, de imediato, o sistema on-line. Por isso, as comunicações de autorização de vôos continuaram a ser feitas apenas por telefone até as 14 horas.ChuvasAs complicações foram agravadas pela forte chuva da manhã deste domingo em São Paulo, onde o Aeroporto de Congonhas foi fechado. Havia expectativa de novas chuvas no início da noite, que poderiam complicar o restabelecimento das operações, uma vez que Congonhas é um ponto de distribuição de vôos pelo País.Em Brasília, a Anac determinou às companhias que suspendessem o check-in no fim da tarde. Por falta de previsões sobre os vôos, o médico Ivedson Ribeiro de Mattos Júnior, de Piedade, no interior de São Paulo, não teve saída senão remarcar o vôo à capital paulista para amanhã e perder o dia de trabalho.

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