Pane no motor deixa 300 à deriva na travessia Paquetá-Rio

Uma barca com quase 300 passageiros ficou à deriva na travessia Paquetá-Rio, depois de uma pane na casa de máquinas na manhã desta segunda-feira. O resgate, tumultuado, revoltou os passageiros, que chegaram a lançar coletes salva-vidas ao mar em protesto. Um catamarã e outra barca foram enviados para transportar os passageiros. Parte deles só chegou à Praça 15, centro do Rio, 2 horas e 20 minutos depois da pane. No fim da tarde, a concessionária Barcas S/A divulgou nota informando que o problema ocorreu no sistema de resfriamento do motor.A barca Visconde de Moraes partiu da Ilha de Paquetá às 7h10, levando 280 passageiros, de acordo com informações da concessionária Barcas S/A. Cinco minutos depois, para surpresa dos passageiros, um dos tripulantes deixou a casa de máquinas com a roupa coberta por óleo. A barca, então, parou na altura do bairro da Ilha do Governador, zona norte do Rio."Os funcionários informaram que o volante do eixo quebrou e a água começou a entrar. Tiveram de desligar o gerador para não haver curto-circuito", contou o corretor de seguros Jorge Ferreira Souza Filho, de 43 anos. "Antes de sair do Rio a barca tinha problema e isso ficou registrado no livro de ocorrências".O resgate foi difícil. O catamarã Avatares chegou ao local às 7h40, mas os passageiros tinham de ultrapassar o desnível de cerca de dois metros para alcançar a embarcação. O guarda municipal Luciano dos Santos, de 33 anos, filmou com celular a dificuldade dos passageiros. "Eles não tinham nenhum plano de contingência. Nós nos organizamos para que crianças, mulheres e idosos fossem transferidos para o catamarã".ResgateA barca e o catamarã aproximaram-se demais de uma área em que há muitas pedras e o resgate foi interrompido. Mesmo assim, o Avatares deixou 150 pessoas na Praça 15 às 8h30, de acordo com a Barcas S/A.Os demais passageiros foram transportados na barca Lagoa, que alcançou a Visconde de Moraes às 8h40 e atracou na Praça 15 às 9h35.A Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio (Agetransp) vai averiguar as causas da pane e apurar se os procedimentos de resgate de passageiros foram adequados.As queixas de passageiros na travessia Rio-Paquetá são comuns. Além dos atrasos, os moradores da ilha reclamam das más condições das embarcações - algumas barcas chegam a ter goteiras. Um grupo de moradores decidiu processar o consórcio Barcas S/A. De acordo com a empresa, o valor da passagem (R$ 4,20) foi devolvido aos clientes, que receberam também declarações para justificarem, no trabalho, seu atraso. A Barcas S/A afirmou ainda ter investido, no últimos oito anos, US$ 7 milhões para a "revitalização e manutenção de suas embarcações e estações".

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