Panes: 26% de acidentes com Airbus

De acordo com relatórios americanos, problemas elétricos ou mecânicos foram registrados em 28 de 106 casos

Bruno Tavares, Eduardo Reina e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

Panes elétricas e problemas mecânicos foram fatores contribuintes para 26% dos acidentes e incidentes aéreos envolvendo aviões da família Airbus desde 1983, segundo relatórios do National Transportation Safety Board (NTSB), órgão oficial dos Estados Unidos responsável por investigações de acidentes com aeronaves. Foram contabilizados pelo Estado pelo menos 28 casos de problemas em 106 registros do NTSB.O índice é pouco maior que a média mundial, que engloba todos os modelos de aviões - de acordo com o Bureau d''Archives des Accidents Aéronautiques, da Suíça, 20,72% dos acidentes aéreos até hoje foram causados por falhas técnicas.O exame indica que até o sofisticado sistema computadorizado dos jatos Airbus estão sujeitos a falhas, ainda que raras. Em alguns casos, como no acidente com o A320 da TAM, que deixou 199 mortos, em 2007, tudo indica que o manejo desses controles tenha induzido a tripulação a erro. Segundo especialistas ouvidos pelo Estado, o próprio sistema eletrônico de proteção do Airbus, "por envelopes", é tão automatizado que impossibilita determinadas reações dos pilotos. Se por um lado ele ajuda a evitar o erro humano - principal causa de acidentes em todo o mundo -, de outro pode dificultar que a tripulação tente corrigir eventuais panes.A chamada "família A" da fabricante francesa Airbus é equipada com o sistema fly-by-wire, no qual os controles direcionais do avião funcionam por cabos elétricos ligados a pequenos motores instalados nas asas. Em muitos casos, o sistema do Airbus não permite que o piloto cancele as manobras - em outras aeronaves, onde o controle aerodinâmico é feito por cabos mecânicos, o piloto consegue mudar manobras sem a interface do computador.Ainda assim, especialistas e autoridades aeronáuticas consideram os Airbus extremamente seguros e, de certa forma, "uma aeronave à frente de seu tempo". Isso, contudo, não assegura que esteja livre de falhas, inclusive de concepção do projeto.No ano passado, dois aviões da companhia aérea australiana Qantas tiveram essa dificuldade. Sensores da aeronave enviaram informações incorretas aos computadores de voo, o que fez com que tomassem medidas de emergência automaticamente para corrigir problemas inexistentes. Como resultado, os jatos tiveram uma queda brusca de altitude e quase se acidentaram, sem que o piloto tivesse sequer tocado no manche.Em outubro de 2005, foi registrado pane no Brake Steering Control Unit (BSCU), levando o Airbus da US Airways a perder os freios durante o procedimento de aterrissagem no Aeroporto de Tampa, na Flórida. Os peritos relataram que a pane ocorreu sem razão determinada. Dois anos depois, em Minneapolis, um A319 da Northwest Airlines sofreu pane hidráulica e colidiu com um DC9 quando taxiava porque o freio também teve problemas inesperados.Numa tarde do dia 5 de junho de 2003, informa o NTSB, um A320 enfrentou turbulência no céu do Arizona quando os dois radares, o primário e o secundário, sofreram pane, deixando a tripulação sem enxergar o que estava ocorria à sua frente. O avião estava a 25 mil pés de altitude e o comandante resolveu subir para 33 mil pés.A conclusão dos peritos norte-americanos é que, enquanto os pilotos tentavam identificar o que acontecia com o radar número 1, o sistema secundário estava "mascarado", o que também dificultava a observação do espaço aéreo. Não houve explicação para as causas desses problemas.

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