Panfleto do PCC fala em ação mais audaciosa

O Primeiro Comando da Capital (PCC) promete ações "em proporções ainda não vistas" caso a Justiça não tome providências contra supostas maus tratos a presos no sistema prisional. "Daremos nossas vidas se necessário. A menos que seja dado um basta nessa situação, levaremos até as últimas conseqüências essa guerra por justiça. Violência gera violência e covardia gera covardia." A disposição de atacar e morrer está expressa em um panfleto distribuído em diversas regiões de São Paulo nesta segunda-feira, 28. A propaganda feita pela facção criminosa foi detectada pela inteligência da polícia. Ela começa dizendo que "o governo do Estado tem usado os veículos de comunicação para induzir a Justiça e a população a uma pensamento equivocado do verdadeiro motivo que nos levou às ações armadas". Teme-se que o PCC esteja planejando novos ataques para 31 de agosto (data da fundação da facção) ou 7 de setembro. A Coordenadoria dos Presídios da Região Oeste do Estado de São Paulo informou que não responderá às acusações dos panfletos por se tratar de "comunicados apócrifos que caracterizam denunciação caluniosa". Na análise da inteligência policial, o panfleto está relacionado à apreensão de um bilhete na cela do seqüestrador Paulo César Souza Nascimento Junior, o Paulinho Neblina, preso na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. O bilhete foi apreendido na cela 133 do raio 1 da prisão, às 17h30 de domingo, e deixou a cúpula do governo em alerta. O manuscrito de cerca de dez linhas estava sobre a cama de Paulinho Neblina. Ele trata de um plano que provoque mais impacto do que o seqüestro de funcionários da Rede Globo, no dia 12. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que o bilhete já é objeto de investigação. A mensagem é assinada pelo próprio Paulinho, condenado a 89 anos de prisão. Ele é um dos mais perigosos integrantes do PCC. O Departamento de Inteligência da secretaria tenta identificar o destinatário da carta, descrito no texto só como Negão. No bilhete, Paulinho diz: "Negão, se possível chamar na caneta aquela situação que você fez." Depois, menciona o seqüestro do repórter Guilherme Portanova e do auxiliar técnico Alexandre Calado. "Tem que ser feito daquela forma mesmo. É mais um bonde para ser puxado, mas é maior do que o que foi feito na Globo." (Colaborou Chico Siqueira)

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