Pão, café e aulas de preservação

Padarias coletam óleo de cozinha

Fernanda Aranda, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

15 Julho 2009 | 00h00

A onda "verde" chegou às padarias paulistanas e foi reforçada ontem com a campanha lançada pelo Sindicato das Panificadoras (Sindipan). Além do famoso "pingado" com pão na chapa, os balcões vão oferecer aulas de conscientização ambiental aos clientes. Os estabelecimentos participantes que já haviam trocado os sacos plásticos por sacolas ecológicas, a ecobag, agora viraram ponto de coleta do óleo de cozinha usado por famílias para encaminhá-lo a dois destinos: produção de biocombustível ou material de limpeza. "As padarias há muitos anos estão engajadas no tema reciclagem e a nossa proposta é embutir a responsabilidade socioambiental nas donas de casa, pais de família e todos que frequentam o local", afirmou o presidente do Sindipan, Antero Pereira. "Primeiro adotamos as sacolas vai e volta, agora estamos atuando com o destino correto para o óleo de cozinha. Nosso próximo passo, em estudo, é fazer com que as padarias recebam garrafas pet." A transformação das padarias em polos de coleta do óleo de cozinha foi conseguida com a parceria entre o sindicato e duas ONGs que atuam na área, a Trevo e a Bioauto. Essas duas entidades ficam responsáveis por recolher periodicamente o material nas padarias. A estimativa é de que 2 mil estabelecimentos abracem a causa. Um que já aderiu fica no Brooklin, zona sul, e é de propriedade do português Carlos Gonçalves Teixeira, que desde os 15 anos, idade com que veio morar no Brasil, trabalha em padarias. "A causa ambiental já sensibilizou todos nós e não dá para ficar de fora", disse. Teixeira e o irmão, João Gonçalves Teixeira, desde ontem já distribuíram potes aos clientes para a coleta do óleo. "Isso evita que o material seja despejado em esgotos, um ganho imenso ao meio ambiente." A adesão aos programas ambientais, avalia Francisco Antônio Menezes, proprietário da Boston Baked, padaria em Moema, também na zona sul, reforça o papel social exercido por esse tipo de comércio. "As padarias são refúgios dos moradores. E estão envolvidas em várias causas do bairro onde ficam", afirmou. "Nós, por exemplo, oferecemos desde alimentos para as comunidades carentes às festas tradicionais e quermesses de igrejas, como colocamos cartazes de pessoas desaparecidas na parede, informamos à polícia sobre a criminalidade local", completa Menezes, que recicla há anos o óleo de cozinha. A mesma avaliação partilha o gerente da padaria Juriti, também em Moema, João Alvaro. "A reciclagem chegou aqui para nós há dez anos e temos a missão de divulgar para a comunidade", disse ele. Júlio Moregola, proprietário da Gran Fornalha, no Pacaembu, zona oeste, palpita sobre o engajamento dos locais em causas sociais. "Como café e pão são os ingredientes mais democráticos do País. Atuamos em variados problemas: da causa ambiental ao desemprego, já que é aqui que o fulano conta que está sem trabalho e nós lembramos que o sicrano precisa de alguém. Somos pontes."

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