Papa aceita renúncia de bispo que declarou apoio a Dilma

Afastamento teria sido motivado por doença e não teve conotação política, segundo fontes ligadas a d. Luiz Carlos

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2010 | 00h00

O Vaticano anunciou ontem que o papa Bento XVI aceitou o pedido de renúncia do bispo de Caçador (SC), d. Luiz Carlos Eccel, de 58 anos. Antes do segundo turno das eleições, ele declarou apoio à então candidata Dilma Rousseff (PT) e denunciou como caluniosa uma campanha que ela vinha sofrendo por supostamente ser partidária da descriminalização do aborto.

A aceitação do pedido de renúncia não teria tido conotação política, conforme informaram ao Estado três fontes ligadas ao bispo. "Se há alguma ligação com a política, poderá ter sido pelo fato de o papa ter aceito meu pedido imediatamente após 31 de outubro, quando Dilma Rousseff venceu o pleito", declarou d. Luiz.

De acordo com o comunicado do Vaticano, o bispo renunciou à diocese que assumiu em 1999 em obediência ao parágrafo 2 do cânone 401 do Código de Direito Canônico, que prevê e aconselha o afastamento "por doença ou outra causa grave". No caso dele, o motivo seria o de doença.

"Tive um câncer de próstata há sete anos e atualmente tenho problemas nos rins, não me sentindo em condições de administrar mais uma diocese", revelou. Depois de entregar o cargo para d. João Oneres Marchiori - bispo emérito de Lages (SC) que vai dirigir a diocese até a escolha do sucessor -, d. Luiz Carlos retirou-se para a chácara onde pretende morar e afirmou estar à disposição da Igreja para trabalhos pastorais sempre que for solicitado.

Como bispo de Caçador, d. Luiz Carlos enfrentou problemas administrativos, entre eles um desfalque de R$ 2,3 milhões em uma gráfica dirigida por um padre e um leigo. O assunto foi discutido durante a assembleia-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em maio, em Brasília.

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