Alberto Pizzoli/AFP
Alberto Pizzoli/AFP

Papa acredita que seu pontificado seja breve, de '4 ou 5 anos'

No dia em que comemora dois anos à frente da Igreja, Francisco criticou a Cúria e explicou a polêmica com o governo do México

O Estado de S. Paulo

13 Março 2015 | 14h40

CIDADE DO VATICANO - No dia em que comemora dois anos à frente do Vaticano, o papa Francisco confessou nesta sexta-feira, 13, que tem a impressão "de que seu pontificado vá ser breve, de quatro ou cinco anos" e que não se sente "sozinho" e sem apoio para liderar a Igreja Católica.

Em entrevista à rede mexicana de televisão Televisa, o pontífice argentino falou abertamente de sua eleição, dos escândalos, de seus limites como pessoa, da visão sobre o papado, do México, da imigração e até brincou sobre o enorme ego dos argentinos.

"Tenho a sensação de que meu pontificado será breve: quatro ou cinco anos. Eu não sei, ou dois, três. Bem, dois já se foram. É um sentimento um pouco vago", declarou. "Por aqui é como a psicologia de quem joga e, em seguida, acredita que vá sair para não perder a ilusão depois.  Tenho a sensação de o que Senhor me pôs para uma coisa mais breve."

Aos 78 anos, Francisco descartou "colocar um limite de idade" ao pontificado, já que considera que o "papado tem algo de última instância", "uma graça especial", sem um prazo fixo.

Perguntado se gosta de ser papa, Francisco respondeu com resignação: "Não me desagrada". "Uma vez dada a coisa, depois se faz", acrescentou em tom coloquial, direto e franco, fiel ao seu estilo.

Francisco também revelou uma piada sobre o ego dos argentinos, disse que gosta de viajar, que é muito ligado a seus hábitos e voltou a criticar em tom áspero a Cúria Romana, a poderosa máquina central da Igreja, rodeada de intrigas e escândalos financeiros.

"Este é o último tribunal que se mantém na Europa. Os demais se democratizaram, incluindo os mais tradicionais", afirmou, reiterando que se propõe a "mudá-la".

Francisco disse que "não se sente sozinho" e aproveitou para acabar com as polêmicas com o governo do México, em decorrência de um e-mail enviado a um amigo no qual pedia para que fosse evitada a "mexicanização" da Argentina. O comentário se referia à violência do narcotráfico.

"Obviamente é um termo, permitam-me a palavra, técnico. Não tem nada a ver com a dignidade do México. Como quando falamos da 'balcanização', os sérvios, os macedônios e os croatas não ficam com raiva", comparou. "Já se fala de modo técnico em 'balcanizar' algo. Os meios de comunicação usam muito", explicou. 

O pontífice argentino reconheceu que seu comentário "incendiou" os ânimos, mas assegurou que, segundo as estatísticas que lhe enviaram, "90% dos mexicanos não se ofenderam com a expressão".

Jubileu da Misericórdia. O papa anunciou ainda nesta sexta-feira a celebração do Jubileu da Misericórdia, que começará em 8 de dezembro deste ano, com a abertura da porta santa de São Pedro, e se encerrará em 20 de novembro de 2016./AFP E EFE

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