Gregorio Borgia/AP
Gregorio Borgia/AP

Papa canoniza Madre Teresa de Calcutá neste domingo

Cerimônia será no Vaticano após cura milagrosa de engenheiro brasileiro; nascida na Macedônia, religiosa ganhou Prêmio Nobel da Paz

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2016 | 05h00

SÃO PAULO - A cerimônia de canonização de Madre Teresa de Calcutá, na manhã deste domingo, 4, em Roma, será uma das comemorações mais importantes do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que começou em 8 de dezembro de 2015 e se encerra dia 20 de novembro.

O papa Francisco escolheu para a celebração a data de 4 de setembro, véspera do aniversário da morte da fundadora da Congregação das Missionárias da Caridade, porque ela foi um exemplo da misericórdia de Deus para com os pobres, aos quais dedicou sua vida. Madre Teresa nasceu em 1910 e morreu em 1997.

O caso que levará à canonização tem um brasileiro – o engenheiro Marcílio Haddad Andrino – como o beneficiário da cura classificada como fato extraordinário pelos médicos e considerada milagre pela Igreja. O papa Francisco reconheceu sua autenticidade em decreto publicado em 17 de dezembro, após análise da Congregação para as Causas dos Santos. Andrino, atualmente residente no Rio, está em Roma, com a família, a fim de assistir à cerimônia de canonização.

A expectativa é grande, contando-se com uma multidão comparável aos 1,5 milhão de devotos que acorreram ao Vaticano em 27 de abril de 2014 para a canonização de João XXIII e João Paulo II. Até sexta-feira, 100 mil ingressos haviam sido distribuídos para a missa de canonização.

Madre Teresa está sendo canonizada 19 anos após a morte, tempo muito curto em comparação com os de outros candidatos ao altar nos processos da Congregação para as Causas dos Santos. Ela foi beatificada em 2003, seis anos depois de morrer, por empenho pessoal do papa João Paulo II, que a tinha conhecido pessoalmente e a considerava um exemplo atualíssimo para a Igreja – avaliação compartilhada por seus sucessores, Bento XVI e Francisco.

Origem. Uma das figuras mais veneradas pelos devotos, Madre Teresa era de origem albanesa – recebeu no batismo o nome de Agnes –, nasceu em Escópia, capital da Macedônia, na antiga Iugoslávia. Era a caçula dos cinco filhos de Nicola e Drane Bojaxiu, uma família pobre e muito religiosa. Aos 18 anos, Madre Teresa decidiu ser freira. “Sou albanesa de sangue e indiana por cidadania”, assim se apresentava a freira que, ao chegar à Índia como missionária, incorporou em sua identidade o nome de Calcutá, a cidade que a acolheu.

Fundou a Congregação das Missionárias da Caridade, que teria também um ramo masculino. Vestiu uma túnica branca com faixas azuis e, com as primeiras companheiras, dedicou-se ao serviço dos mais pobres entre os pobres. Idosos, doentes e, entre esses, os hansenianos, tiveram prioridade na sua atenção. O papa Pio XII aprovou em 1950 as Missionárias da Caridade.

Elas são hoje cerca de 5 mil irmãs e atuam no mundo em pequenas comunidades. No Brasil, são 70 religiosas, que trabalham em 13 Casas, incluindo uma em São Paulo – Madre Teresa visitou duas vezes o País. Em 1979, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Sua figura, no entanto, não era uma unanimidade. Ela chegou a ser criticada por supostamente não dar o tratamento adequado aos pacientes.

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