Giuseppe Lami/EFE/EPA
Giuseppe Lami/EFE/EPA

Papa defende pacto sobre migração que Bolsonaro quer abandonar

Pontífice pediu que comunidade internacional trabalhe com 'responsabilidade, solidariedade e compaixão' em relação aos migrantes e que trate o tema de forma 'segura, coordenada e regular'

Ansa e RFI

16 de dezembro de 2018 | 11h28

O papa Francisco declarou no domingo, 16, ser apoiador do Pacto Mundial das Nações Unidas sobre Migração, e pediu à comunidade internacional para que a trabalhe "com responsabilidade, solidariedade e compaixão" em relação aos migrantes. O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) já anunciou que vai se desligar do texto adotado esta semana em Marrakech, por considerá-lo "um instrumento inadequado para lidar com o problema", segundo o futuro chanceler Ernesto Araújo.

Diante de mais de 25 mil fiéis que compareceram à missa dominical na Praça São Pedro, no Vaticano, o papa Francisco disse que o texto da Organização das Nações Unidas (ONU) oferece parâmetros para a comunidade internacional tratar a migração de maneira "segura, coordenada e regular". O líder da Igreja Católica insistiu que é preciso ter compaixão com os migrantes, que deixam seus países por razões diversas. A defesa dos refugiados tornou-se um ponto forte do pontificado do papa argentino.

Na sexta-feira, 14, o papa disse, durante encontro com os organizadores do concerto de Natal no Vaticano, que é importante "escancarar os portões dos campos de refugiados" e ajudar os "jovens imigrantes a se inserirem nas novas sociedades", através da "solidariedade e da generosidade".       

Segundo o líder da Igreja Católica, "muitas crianças migrantes passam seus dias em longas marchas a pé, ao invés de frequentarem a escola".  "O Natal é sempre novo, porque nos convida a renascer na fé, a abrir-nos à esperança e a reacender a caridade", finalizou, reforçando que esta época "nos chama a refletir sobre a situação de migrantes e refugiados que fogem das guerras, das misérias causadas por injustiças sociais e das mudanças climáticas". 

Mais de 150 países adotaram na segunda-feira, 11, o pacto de 40 páginas proposto pela ONU. Não vinculativo do ponto de vista jurídico, o propósito do acordo é "fomentar a cooperação internacional sobre a migração entre todas as instâncias pertinentes".

O atual chanceler Aloysio Nunes, que assinou o documento no Marrocos, criticou a decisão anunciada pelo futuro governo brasileiro, dizendo que seria um "retrocesso" abandonar o pacto. "Eu acho que não é bom. O Brasil tem se distinguido por uma dedicação a temas que têm nos credenciado, que fazem parte do nosso perfil diplomático, que valorizam o Brasil, como imigração, direitos humanos e clima", avaliou o ministro do governo Michel Temer (MDB).

Segundo Aloysio Nunes, o pacto "não se sobrepõe à soberania dos países", conforme insinuou o futuro ministro das Relações Exteriores, e supõe "uma colaboração voluntária", já que não é um tratado nem uma convenção que estabelece obrigações jurídicas.

O anúncio de saída do Brasil foi mais um sinal de aproximação com a diplomacia do governo de Donald Trump. Os Estados Unidos abandonaram a elaboração do texto em dezembro de 2017. Existem hoje no mundo cerca de 258 milhões de pessoas em situação de mobilidade e migrantes, ou seja, 3,4% da população mundial.

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