Papa-defuntos matavam mendigos para dar golpe do seguro

Uma quadrilha formada por agentes funerários que fazia seguro de vida para indigentes e os matava com o objetivo de receber a apólice, foi desbaratada pela delegacia de polícia da cidade de Ilhéus, a cerca de 500 quilômetros da capital baiana. Nove mendigos podem ter sido assassinados pelo bando nos últimos dois anos. Os irmãos José, Sivaldo e Crispiniano Avelino de Jesus sócios da Funerária Bom Descanso foram presos ontem como suspeitos. A irmã do trio Crispina de Jesus que também é acusada não teve até hoje a prisão decretada pela Justiça. Embora o plano dos "papas-defunto" tenha uma certa complexidade, eles se revelaram completamente incompetentes para realizá-lo conforme revelou o delegado Evy Paternostro que investiga o caso. A primeira vítima da gangue foi o indigente José Santos, conhecido como Zé das Malvinas, morto há dois anos, que costumava freqüentar a funerária à busca de um "troco" para comprar cachaça. Os irmãos resolveram contratá-lo como "funcionário" pagando R$ 60 de salário por mês, mas fizeram um seguro de vida na seguradora Vida Azul com mensalidade de R$ 271,70 colocando os patrões como beneficiários. A Segunda parte do plano era naturalmente "arranjar" uma "morte natural" para Zé das Malvinas mas foi nessa etapa que os irmãos se atrapalharam. Zé das Malvinas foi atropelado quatro vezes e espancado duas, mas conseguiu sobreviver. A quadrilha conseguiu finalmente matar o mendigo afogando-o numa aguada de apenas 30 centímetros de fundura existente numa fazenda da família. Disseram na polícia que foi um "acidente", mas a polícia desconfiou que havia algo errado, embora não tivesse conseguido provas do assassinato na época. O segundo mendigo que os irmãos tentaram matar para receber o seguro foi Jaílson Santos. Atropelado duas vezes em frente à funerária conseguiu sobreviver à investida. Com o indigente Angelo Antonio dos Santos, os "papas-defuntos" tentaram um plano mais "eficiente" para tentar eliminá-lo, já que os atropelos e os espancamentos não estavam surtindo o efeito esperado, mas novamente mostraram-se incompetentes.Um colega de Ângelo soube que os irmãos estavam tentando matá-lo, mas não acreditou. Certo dia foi enviado pelos patrões com um suposto cliente buscar um corpo numa fazenda da região. No caminho o "cliente" sacou uma arma e deu três tiros à queima-roupa em Ângelo. Sem ter sido ferido mortalmente, a vítima fingiu-se de morta, sobreviveu e denunciou o caso à polícia. A partir dessas informações o delegado Paternostro conseguiu descobrir o esquema. Junto com o Ministério Público, a polícia de Ilhéus está investigando a morte de oito indigentes da cidade nos últimos meses para saber se elas tem alguma relação com caso. Já descobriram que três dessas vítimas tinham feito seguro de vida embora não tivessem renda.

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