Giorgio Onorati/EFE
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Papa destaca 'permanente atenção pelos mais desfavorecidos' por d. Paulo

Francisco enviou mensagem de pesar em que afirma que cardeal foi 'um seguro ponto de referência' e que comunidade 'chora perda do seu amado pastor'

Luiz Fernando Toledo e José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2016 | 11h26
Atualizado 15 Dezembro 2016 | 21h41

O papa Francisco lamentou nesta quinta-feira, 15, a morte de d. Paulo Evaristo Arns. Em mensagem divulgada pelo Vaticano, o pontífice destacou o trabalho do arcebispo emérito, que morreu na quarta em São Paulo, em favor dos mais pobres. “Ele se revelou autêntica testemunha do Evangelho no meio do seu povo, a todos apontando a senda da verdade na caridade e do seu serviço à comunidade em permanente atenção pelos mais desfavorecidos.” 

O funeral acontece nesta sexta-feira, 16, às 15 horas na Catedral da Sé, em cuja cripta ele será sepultado. Até esse horário, o velório deverá ser mantido na igreja de forma ininterrupta. As missas de sétimo dia estão marcadas para quarta. Na nota oficial, Francisco ainda agradeceu a Deus por ter dado à Igreja Católica “tão generoso pastor”. 

Já o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, prestou condolências e disse que d. Paulo Evaristo manteve alto “o farol da fé nos caminhos dos homens”. 

Nesta quinta, diversas personalidades religiosas e políticas prestaram homenagens ao cardeal e participaram das missas celebradas a cada duas horas na Sé. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou às 19h34, entrando pelos fundos. Trazido pelo padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, ele cumprimentou a família e foi saudado e abraçado por Flávio Arns, de 66 anos, sobrinho de d. Paulo e secretário de Assuntos Estratégicos do Estado do Paraná – político filiado ao PSDB, ele já foi senador pelo PT.

Lula ficou 7 minutos ao lado da urna. Logo na sequência, o padre Júlio celebrou uma missa cheia de representantes de pastorais sociais, grupos de oração e povo de rua. Na homilia, o religioso emocionou ao colocar a mão na cabeça do cardeal e iniciar um diálogo em que mostrava os diversos movimentos, associações e grupos católicos ali reunidos. Sob aplausos, prometeu a presença em peso do povo no funeral desta sexta-feira.

“Ele merecia receber o Nobel da Paz (pelo que fez durante o regime militar). Foi injustiçado pela luta que teve, pela coragem de enfrentar a ditadura, pela coragem de enfrentar e defender quem ninguém procurava, além de denunciar a tortura, quando até a imprensa estava calada”, disse o ex-presidente Lula na saída. “O Flávio me falou que ele já recebeu o prêmio que recebe, o prêmio do povo”, ressaltou, em meio a uma igreja lotada.

A fila para se despedir do corpo, desde o início da tarde, seguia do Marco Zero até o altar da catedral. Alguns compareceriam com a camisa do Corinthians, umas das paixões de dom Paulo. Torcedores da organizada Gaviões da Fiel enviaram coroas e também foram visitar a igreja.

Muitos chegavam de táxi só para acompanhar a cerimônia e saíam aos prantos. “Eu assistia a missas com ele por muitos anos no Natal, em um asilo na Santa Casa, no Jaçanã (zona norte paulistana). Eu não podia deixar de me despedir. Nosso Brasil está precisando agora urgente de pessoas como ele”, disse a aposentada Marina Corrêa da Silva, de 69 anos. 

“Não o conhecia pessoalmente porque tenho vergonha, mas o admirava. Ele tinha simplicidade, ajudava o povo humilde e tinha um dom”, destacou a aposentada Joana Baraúna, também de 69 anos. “Salvou muitas vidas, abrandou muitos corações amargurados na prisão. Foi uma bênção de Deus para essas pessoas que conseguiram se salvar da época da ditadura. Fico triste porque uma pessoa como ele foi embora e não sei se outras virão”, disse a aposentada Maria Póvoa de Alcântara, de 71 anos. 

Ela conta que conheceu d. Paulo na Igreja Nossa Senhora da Penha, na zona leste, nos anos 1960. Foi ajudada por ele depois de vir do interior de Pernambuco para São Paulo – na época, com 14 anos –, para tentar melhorar de vida. “Fica na minha mente uma pessoa que foi muito boa para os pobres.”

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