Alessandro di Marco/EPA/EFE
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Fabricantes de armas não podem se dizer cristãos, afirma papa

Francisco fez durante comício em Turim sua maior condenação à indústria bélica até hoje e criticou também os investidores do setor

O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 14h50

TURIM - Pessoas que fabricam armas ou investem na bélica estão sendo hipócritas se chamarem a si próprias de cristãs, disse o papa Francisco neste domingo, 21. Francisco fez sua condenação mais forte à indústria de armas até hoje durante um comício para milhares de jovens ao final do primeiro dia de sua visita à cidade italiana de Turim. 

"Se confiarem apenas nos homens, terão perdido", disse - antes de ser aplaudido - o pontífice aos jovens em um longo e elaborado discurso sobre guerra, confiança e política, depois de ter descartado sua fala previamente preparada. "Isso me faz pensar em pessoas, gestores e empresários que se dizem cristãos e fabricam armas. Isso leva a um tanto de desconfiança, não é?" 

O papa também criticou aqueles que investem na indústria bélica e afirmou que a "duplicidade é moeda corrente hoje". "Eles dizem uma coisa e fazem outra." 

Francisco também discorreu a respeito de comentários que fez no passado sobre eventos ocorridos na Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Ele falou sobre a "tragédia do Shoah", usando o termo em hebraico para o Holocausto. 

"As grandes potências tinham fotos dos trilhos que levavam os trens até campos de concentração como Auschwitz para matar judeus, cristãos, homossexuais, todo mundo. Por que não bombardearam (os trilhos)?" 

Ao falar sobre a Primeira Guerra Mundial, Francisco discursou sobre "a grande tragédia da Armênia", mas não usou a palavra "genocídio". O papa causou um desconforto diplomático em abril ao chamar o massacre de 1,5 milhão de armênios há 100 anos de "o primeiro genocídio do século XX", o que levou a Turquia a convocar de volta seu embaixador para o Vaticano. /REUTERS

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