AP Photo/Kamran Jebreili
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Papa diz que pessoas que rejeitam homossexuais 'não têm coração humano'

Em outra ocasião, Francisco lamentou que migrantes encontrem portas fechadas por cálculos políticos

Agências Internacionais, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2019 | 18h48

Roma - O papa Francisco afirmou durante uma conversa com o comediante britânico Stephen K. Amos - que ainda não foi ao ar, mas teve trechos antecipados nesta sexta-feira pela rede de televisão "BBC" nas redes sociais - que as pessoas que rejeitam os homossexuais "não têm coração humano".

Na conversa para o programa "Pilgrimage: The Road To Rome", o comendiante conta ao papa Francisco que não é crente e que viajou a Roma "em busca de respostas e fé".

"Porém, como homem gay, não me sinto aceito", disse Stephen.

Diante dessa questão, o papa Francisco disse imediamente que dar "mais importância ao adjetivo (gay) do que ao substantivo (homem) não é bom".

"Todos somos seres humanos, temos dignidade. Se uma pessoa tem uma tendência ou outra, isso não lhe tira a dignidade como pessoa", disse Francisco.

"As pessoas que decidem rejeitar o outro por um adjetivo não têm coração humano", acrescentou Francisco, deixando Amos visivelmente emocionado.

O papa Francisco já havia defendido em várias ocasiões a necessidade de respeitar pessoas homossexuais e, na viagem de retorno a Roma após uma visita ao Brasil, em 2013, perguntou quem era ele para julgar os gays.

Além disso, no Sínodo de Bispos sobre a família realizado em outubro de 2014 foi aprovado um extenso documento no qual lançava uma reflexão sobre problemas da família atual, como os divorciados casados novamente, e apoiava uma Igreja Católica que acolhesse todos, incluindo os homossexuais.

Migração

Nesta Sexta-Feira Santa, 19, o papa lamentou que os migrantes que fogem de países em conflito encontrem "as portas fechadas pelo medo e os corações blindados de cálculos políticos", durante sua oração na celebração da Via-Sacra, em frente ao Coliseu de Roma.

Francisco também criticou a cobiça e o poder, e que famílias sejam "destruídas pela traição, pelas seduções do demônio" ou pelo egoísmo.

O pontífice citou como cruzes do mundo o fato de haver "pessoas famintas de pão e de amor" ou "abandonadas inclusive pelos próprios filhos e parentes", além de "pessoas que não têm o consolo da fé".

O papa lamentou outras situações e injustiças e falou sobre "idosos que se arrastam sob o peso dos anos e da solidão", e crianças "feridas na sua inocência e na sua pureza".

Francisco criticou "a humanidade que vaga na escuridão da incerteza e na escuridão da cultura do momento" e que haja pessoas que sejam rechaçadas e marginalizadas.

O papa também mencionou os crentes que, tendo fé e "tentando viver de acordo (com a palavra de Deus), são marginalizados e deixados de lado inclusive por parentes e seus companheiros".

Por fim, o pontífice criticou as fraquezas dos seres humanos, a hipocrisia, as traições, os pecados e as promessas quebradas, e também o egoísmo que cega os homens pela cobiça e o poder.

"Senhor Jesus, reviva em nós a esperança na ressurreição e na sua vitória definitiva contra todo o mal e toda morte", concluiu.

Com a mensagem, o papa pôs fim ao rito da Via-Sacra, que seguiu a tradição de ser celebrada no Coliseu romano, símbolo da perseguição e do sofrimento dos primeiros cristãos.

A freira italiana Eugenia Bonetti, missionária da Consolata e conhecida por ter dedicado a vida a lutar contra o tráfico humano, foi a responsável por redigir as meditações deste ano. /EFE

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