AP Photo/Gregorio Borgia, Pool
AP Photo/Gregorio Borgia, Pool

Papa é criticado após recomendar psiquiatria para crianças LGBT

Após repercussão nas redes sociais, Vaticano retirou, nesta segunda-feira, a referência à psiquiatria na declaração dada, destacando que o pontífice não quis abordar o tema como 'uma doença psiquiátrica'

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 09h54
Atualizado 27 Agosto 2018 | 15h04

Uma declaração do papa Francisco no retorno da visita à Irlanda, no domingo, 26, tem gerado críticas de associações ligadas aos movimentos LGBT. A jornalistas, o pontífice insinuou que pais e mães de crianças com "tendências homossexuais"deveriam submeter os filhos a tratamento psiquiátrico

Na ocasião, em um voo para o Vaticano, o papa foi perguntado sobre o que diria a pais que percebem orientações homossexuais nos filhos. "Diria a eles, em primeiro lugar, que rezem, que não os condenem, que dialoguem, entendam, que deem espaço ao filho ou à filha", respondeu.

"Quando isso se manifesta desde a infância, há muitas coisas para fazer por meio da psiquiatria, para ver como são as coisas. Outra coisa é quando isso se manifesta depois dos 20 anos", acresceu o papa, que disse ainda: "Nunca direi que o silêncio é um remédio. Ignorar a seu filho ou sua filha com tendências homossexuais é um defeito de paternidade ou de maternidade."

Em resposta, associações francesas LGBT chamaram as declarações do pontífice de "irresponsáveis". "Condenamos estas declarações que fazem referência a uma ideia de que a homossexualidade é uma doença. Se há uma doença esta é a homofobia arraigaba na sociedade", criticou Clémence Zamora-Cruz, porta-voz da associação Inter LGBT. 

O pontífice também foi criticado nas redes sociais. No Twitter, a associação francesa SOS Homofobia chamou as palavras do papa de "graves e irresponsáveis" e que "incitam o ódio contra as pessoas LGBT na nossa sociedade, já marcada por alto nível de homofobia".

Após repercussão nas redes sociais, o Vaticano retirou, nesta segunda-feira, a referência à psiquiatria na declaração dada, destacando que o sumo pontífice não quis abordar o tema como "uma doença psiquiátrica".

A palavra "psiquiatria" foi retirada do "verbatim" publicado hoje pelo serviço de imprensa do Vaticano, "para não alterar o pensamento do papa", explicou à AFP uma porta-voz do Vaticano.

"Quando o papa se refere à 'psiquiatria', é claro que ele faz isso como um exemplo que entra nas coisas diferentes que podem ser feitas", explicou a mesma fonte.

"Mas, com essa palavra, ele não tinha a intenção de dizer que se tratava de uma doença psiquiátrica, mas que talvez fosse necessário ver como são as coisas no nível psicológico", acrescentou o porta-voz. /COM INFORMAÇÕES DA AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.