Andrew Medichini/AP
Andrew Medichini/AP

Papa Francisco defende inclusão do "pecado ecológico" no catecismo católico

Para Igreja Católica, ações contra o meio-ambiente prejudicam a “casa comum” da humanidade e são “crimes contra a paz”

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2019 | 13h04

VATICANO - O papa Francisco afirmou nesta sexta-feira, 15, que a Igreja Católica cogita introduzir o "pecado ecológico" no catecismo, considerando que todas as ações contra o meio-ambiente também são contra a "casa comum" da humanidade. "Um sentido elementar de justiça implicaria que certos comportamentos, pelos quais as empresas são geralmente responsáveis, não ficariam impunes. Em particular, todos aqueles que podem ser considerados como 'ecocídio'", afirmou o pontífice, durante o 20º Congresso Internacional da Associação de Direito Penal, em Roma.

"Estamos pensando em introduzir no catecismo da Igreja Católica o pecado ecológico, o pecado contra o habitat em comum", completou. Sobre o que chamou de "ecocídio", o papa afirmou que podem ser classificadas assim as ações como a poluição massiva do ar, a dos recursos de terra e água, a destruição em larga escala da flora e da fauna ou qualquer outra ação que possa provocar desastre ecológico. Na opinião de Francisco, estes seriam "crimes contra a paz" e devem ser reconhecidos como tais pela comunidade internacional.

"Gostaria de fazer um chamamento a todos os líderes e representantes do setor, para que contribuam com seus esforços para garantir uma proteção legal adequada", clamou.

“Pecado ecológico” foi tema do Sínodo da Amazônia

A ideia de “pecado ecológico” surgiu durante o Sínodo da Amazônia, onde membros da Igreja Católica já haviam alertado o Vaticano sobre os desastres ambientais do Brasil. No evento desta sexta, o papa lembrou que a definição do pecado ecológico serial uma ação e omissão contra Deus, contra os vizinhos, as próximas gerações, a comunidade e o meio ambiente. 

À época do Sínodo, a cúpula da Igreja Católica na Amazônia foi monitorada pelo serviço de inteligência da Presidência e sofreu ataques de grupos conservadores. No eveneto, o papa apoiou uma mobilização internacional de países e entidades, entre elas organizações não governamentais (ONGs), um dos alvos mais frequentes de ataques do governo Bolsonaro. / Com informações da EFE

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