Filippo Monteforte/AFP
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Papa Francisco vai avaliar se mulheres podem ser diaconisas na Igreja

Diácono realiza casamento, mas não celebra missa. Ordenação feminina não é a meta

O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2016 | 10h23

Após mais de 20 anos, o papa Francisco decidiu nesta terça-feira, 2, retomar a discussão sobre a possibilidade de inclusão das mulheres na hierarquia principal da Igreja Católica. Na prática, ele estabeleceu uma comissão para estudar qual foi o papel das diaconisas e se havia uma ordenação formal delas nos primeiros anos da Igreja Católica.

Em maio, o pontífice já havia antecipado que avaliaria a criação dessa comissão, durante encontro com as participantes da 20.ª Assembleia Plenária da União Internacional das Superioras-Gerais, no Vaticano. “O que eram esses diaconatos femininos? Elas tinham ordenação ou não? Era um pouco obscuro”, afirmou. 

A comissão será presidida pelo monsenhor Luis Ladaria, arcebispo de Tibica e secretário da Congregação para a Doutrina da Fé. A nova organização será composta por 13 integrantes - seis mulheres, religiosas e professoras universitárias. Entre as participantes está a professora da Universidade La Sapienza (Roma) Francesca Cocchini e a professora de Teologia da Universidade de Viena Marianne Schlosser. Participarão ainda professores de França, Estados Unidos e Espanha.

O grupo terá como missão entender como funcionavam diaconatos femininos na Igreja primitiva. No voo de volta da Armênia, em 26 de junho, Francisco reconheceu que estudava a possibilidade de instituir uma comissão para analisar o papel das diaconisas, mas lembrou que isso não significa abrir as portas à ordenação feminina imediatamente - como ocorre em outras igrejas cristãs. “A mulher pensa de outra maneira em relação a nós, os homens. E não se pode tomar uma decisão boa e justa sem ouvi-las”, afirmou à época. “Às vezes, em Buenos Aires, eu falava com os meus consultores e os ouvia sobre um tema. Em seguida, chamava algumas mulheres e elas viam as coisas sob um prisma diferente e isso enriquecia tanto, tanto...”

Para o coordenador do curso de Teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Denilson Geraldo, a decisão do papa reforça a importância dada por Francisco às mulheres. “Ele dá importância muito grande à presença delas na Igreja e nos lugares de decisão - em todos os ambientes, na faculdade de Teologia, como docente, nos lugares de decisão das dioceses, nos conselhos. A presença da mulher é fundamental”, disse. 

De acordo com ele, a comissão terá uma missão histórico-teológica, pois deverá analisar a fundamentação bíblica sobre a presença de diaconisas nos primeiros séculos do Cristianismo. Outro ponto destacado pelo professor é a valorização do diaconato. “Temos um olhar do papa Francisco sobre o cuidado dos pobres, que é exatamente o ministério dos diáconos. O que se coloca de modo bastante enfático hoje é a necessidade de a diocese (divisão administrativa) ter essa prioridade.”

Responsabilidade. Os diáconos na hierarquia católica são o nível inicial do sacramento da Ordem - seguidos pelos presbíteros (padres) e bispos. Na atualidade, definem-se como sacerdotes apenas os padres. Cabe aos diáconos, entre outros serviços, assistir o bispo e os padres nas celebrações, sobretudo na Eucaristia, distribuindo a comunhão, assistir ao matrimônio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho e pregar (fazer a homilia das missas), além de presidir funerais. Mais especificamente, como destaca o Catecismo da Igreja Católica, são chamados a “consagrar-se aos diversos serviços da caridade”.

O diaconato pode ser transitório - no caminho para o sacerdócio (para tornar-se padre) - ou permanente, atribuído aos homens que já são casados ou têm intenção de se casar. Essa última concessão avançou na Igreja Católica (atingindo diretamente os leigos) somente após o Concílio Vaticano II. / LUIZ FERNANDO TOLEDO, COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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