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Papa Francisco expulsa padre chileno acusado de abuso sexual de crianças

Acusações contra Cristián Precht surgiram durante investigações sobre denúncias contra membros da comunidade religiosa dos Irmãos Maristas; padre sempre negou acusações

Agências internacionais, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2018 | 16h27

O papa Francisco expulsou neste sábado, 15, da Igreja Católica o padre chileno Cristián Precht, investigado em um caso de abuso sexual de crianças. A decisão do pontífice foi confirmada pela Arquidiocese de Santiago. 

"O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Luis F. Ladaria, notificou hoje o arcebispo de Santiago, que, com data de 12 de setembro do ano em curso, o santo papa Francisco decretou, de forma inapelável: a demissão do estado clerical 'ex officio et pro bono Ecclesiae' e a dispensa de todas as obrigações unidas à sagrada ordenação do reverendo Cristián Precht Bañados. O mesmo decreto estabelece que o bispo comunique rapidamente a nova situação canônica do afetado ao povo de Deus", afirma comunicado da Arquidiocese de Santiago, de acordo com a rede americana CNN.

Precht foi chefe do grupo de direitos humanos do Vicariato de Solidariedade da Igreja Católica que, na década de 1980, desafiou o então ditador Augusto Pinochet a acabar com a tortura no Chile. Precht foi acusado de abuso sexual de crianças durante investigações sobre denúncias contra membros da comunidade religiosa dos Irmãos Maristas. O padre sempre negou as acusações.

O caso de Precht não é único. Lista revelada em julho pela Procuradoria do Chile mostra que 158 membros da Igreja Católica chinela, entre bispos, padres e laicos, são investigados como autores ou acobertadores de abusos sexuais contra menores e adultos que se estenderam por quase seis décadas.

Atualmente há 34 investigações em andamento, com processos pendentes, e outras 107 já foram concluídas. Em 23 dos casos houve condenações e um terminou em absolvição.

O papa aceitou a renúncia de cinco bispos chilenos, quatro deles acusados de encobrir os abusos sexuais cometidos por padres. Francisco criticou durante a hierarquia na Igreja chilena pelo tratamento dado às denúncias da vítima.

A preocupação com os casos de abuso sexual dentro da Igreja fez o papa convocar os presidentes de todas as conferências episcopais do mundo para uma inédita cúpula em fevereiro de 2019. A reunião será realizada para discutir a prevenção aos casos e a proteção das vítimas.

O Brasil foi escolhido por Francisco, ao lado de Zâmbia e Filipinas, para desenvolver um projeto-piloto para dar voz das vítimas. A informação, dada pelo representante brasileiro na comissão, o leigo Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos, foi divulgada pelo Estado. 

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